Programação & Data Science

A ciência de dados

aplicada aos Jogos Olímpicos

Finalmente. Os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 acontecem após seu inevitável adiamento devido à covid-19. Mesmo com as arquibancadas do Estádio de Tóquio vazias, não houve dúvidas que a torcida às delegações participantes era planetária durante a belíssima abertura realizada no dia 23 de julho. O evento tem encerramento previsto para o dia 08 de agosto, próximo domingo.

Tóquio em 2020 em números

Mesmo com seu adiamento, as Olímpiadas de Tóquio reúnem alguns números impressionantes: são 339 medalhas para 33 categorias de esportes em competições realizadas em 42 instalações pelo Japão. Aliás, as medalhas destes Jogos são compostas de metais preciosos recuperados de 6,2 milhões de celulares descartados e os próprios pódios são feitos com plástico reciclado de materiais recuperados do oceano. Põe sustentável nisso.

Ao todo são 11.500 atletas (301 brasileiros), 79.000 oficiais estrangeiros, jornalistas e funcionários. 49% dos atletas são mulheres e 51% são homens. Porém, somente 40,5% dos atletas que participarão dos Jogos Paralímpicos são do sexo feminino. Além disso, 80% dos atletas hospedados na Vila Olímpica de Tóquio foram vacinados por intermédio de um acordo entre o Comitê Olímpico Internacional e a Pfizer-BioNTech.
O Japão investiu oficialmente US$ 15,4 bilhões no Jogos de Tóquio, superando o custo total do evento esportivo de 2016 realizado no Brasil que totalizou US$ 13,2 bilhões.
Sustentabilidade em pauta

De acordo com dados do Fórum Econômico Mundial, os organizadores do Tóquio 2020 sediam os jogos mais verdes de todos os tempos, emitindo 2,93 milhões de toneladas de CO2, em comparação com as 3,60 milhões de Rio 2016 e 3,3 milhões de toneladas geradas durante Londres 2012. Fontes de energia renováveis ​​fornecem toda a eletricidade dos Jogos com lâmpadas LED utilizadas em todas as instalações.

O Japão investiu oficialmente US$ 15,4 bilhões para receber Jogos Olímpicos de Tóquio, superando o custo total do evento esportivo de 2016 realizado no Brasil que totalizou US$ 13,2 bilhões.

Percebemos até aqui que os números de uma competição olímpica são no mínimo suntuosos. No entanto, é possível utilizar a ciência de dados para auxiliar na competitividade dos atletas na conquista de medalhas olímpicas?
É possível utilizar a ciência de dados para auxiliar na competitividade dos atletas na conquista de medalhas olímpicas?
Seja em qualquer modalidade de esporte de alta performance, as vitórias são alcançadas por margens extremamente mínimas. A título de exemplo, a diferença que separa o primeiro corredor que cruza a linha de chegada numa maratona em relação ao segundo colocado é inferior a 1%. Na natação a conquista da medalha de ouro é alcançada frequentemente por uma distância de um palmo.

Isso significa que criar uma vantagem de centésimos de milésimos de segundos e reduzir possíveis atritos dos atletas com o ambiente tornam-se fundamental numa competição tão acirrada como os Jogos Olímpicos.

Para criar esta vantagem competitiva, otimizar itens como equipamentos e vestuários de acordo com as necessidades dos atletas permitem que eles ganhem preciosos microssegundos que potencialmente garantirão a almejada vitória materializada nas medalhas de ouro, prata e bronze.

Atualmente, muitas delegações confiam no seu próprio conjunto de práticas que também são compartilhadas com outras equipes esportivas. Alguns remadores, por exemplo, costumam lixar seus barcos com esmeril, um tipo de pedra, crentes que um casco áspero se move mais rápido do que uma superfície lisa. Entretanto, essa questão é um desafio e tanto para os cientistas de dados e físicos.

Ao aplicar esmeril nos barcos, é necessário estudar o atrito desta pedra em superfícies texturizadas ou lisas, hidrofílicas ou hidrofóbicas, e correlacionar com as velocidades de navegação, mas também determinar a forma ideal do casco (se simétrico ou assimétrico), o comprimento dos remos e até investigar os materiais utilizados na fabricação destas embarcações. Reunir dados sobre os atletas como peso e altura é relevante para a ampliar as perspectivas de seu desempenho por meio dos equipamentos adequados aos seus objetivos.
Esta também é uma realidade para os atletas dos Jogos Paralímpicos. Nas corridas de cadeiras de rodas, um outro exemplo, as equipes esportivas envolvidas na competição se perguntam quais tipos de pneus, se largos ou estreitos, e o nível de pressão devem usar para reduzir o atrito das cadeiras nas pistas durante as corridas. No salto em distância paralímpico, onde todos os atletas saltam sobre suas próteses, é uma questão primordial desenhar a prótese mais adequada às propriedades fisiológicas de cada um dos esportistas.
A startup francesa Phyling entrou em campo para atuar além da otimização dos equipamentos. Com o objetivo de ampliar o número de medalhas da delegação da França durante os Jogos de Paris 2024, a empresa desenvolve há pouco mais de um ano sensores de precisão para medir e diagnosticar as alavancas de desenvolvimento de um atleta. O principal propósito deste projeto é ampliar a visão técnica dos treinadores por intermédio de uma tecnologia que afaste todas as incertezas e mostre às equipes tudo o que elas não conseguem enxergar à primeira vista. De acordo com a Phyling, a urgência está na quantificação dos cinco sentidos dos atletas para a construção de uma análise que prevê incidentes que eventualmente beneficiariam ou prejudicariam os atletas.

Em entrevista ao site francês L’Étudiant, Romain Labbé, Pierre-Olivier Barrioz et Jean-Philippe Boucher, que estão à frente da Phyling, revelaram um projeto em parceria com times de rugby. Nele, eles integraram sensores nas chuteiras dos atletas que permitem identificar e antecipar regiões de fadiga ou lesão.


No pentatlo moderno e no tiro, a startup mede a interação entre o dedo do atirador e o gatilho. Desta maneira, os treinadores conseguem visualizar num tablet todos os dados de seu atleta e veem em tempo real a movimentação de seus dedos. Assim, possibilitando um cruzamento entre dados, conhecimento técnico e intuição.

Como ser um campeão olímpico com a ciência de dados?

Os dados estão transformando o mundo, inclusive os esportes. Saber manuseá-los e tirar insights aplicáveis para atletas de alto desempenho é apenas um exemplo da atual relevância da ciência de dados.

Seja nos Jogos Olímpicos ou em qualquer organização, empresa, negócio, ter a habilidade de interpretar dados alimenta esta tendência pela busca de profissionais qualificados para lidá-los com visão, responsabilidade e inteligência. Pensando nisso, a EBAC lançou o curso Profissão: Analista de Dados.

No curso Profissão: Analista de Dados, você irá aprender a utilizar desde o início as principais ferramentas para trabalhar com dados e saber como extrair insights poderosos para tomar decisões importantes de negócio.

Ao fim do curso, você dominará diversas ferramentas analíticas avançadas. Também aprenderá análise e visualização de dados de ponta a ponta, escrever em linguagem SQL, programar em Python, utilizar machine learning, trabalhar com Big Data, e muito mais.


Nosso professor: André Perez, engenheiro de dados na Stone


André atua no desenvolvimento e manutenção de pipeline de dados, atualmente como Engenheiro de Dados na Stone. Trabalhou na Serasa Experian, onde liderou a modernização da infraestrutura computacional da concessão de crédito, e na Amdocs, onde conduziu projetos de ciência de dados em Tel-Aviv, Israel. Atualmente é aluno de mestrado no Instituto de Ciências Matemáticas e Computação (ICMC/USP) e tutor do MBA em ciência de dados da mesma instituição.