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Fotógrafo esportivo: “A vida real não dá replay”
Saiba mais sobre a profissão que cristaliza momentos esportivos e políticos na história nessa entrevista com o fotógrafo e professor Willian Silveira
Rio 2016
Ser fotógrafo é uma profissão que busca nos detalhes aquilo que passa desapercebido. Mas quando se trata da fotografia esportiva, o olhar apurado não basta (é importante, sem dúvida!). É preciso literalmente saber as regras do jogo, ter feelling para clicar o momento certo, além do desafio de encontrar seu próprio estilo.

“Na minha visão, a fotografia de esporte é uma das que mais solicita experiência de um fotógrafo por dois princípios básicos: na vida real não dá para dar replay, ou seja, a ação não se repetirá caso o fotógrafo tenha perdido o foco, a exposição ou o momento. O segundo aspecto é que o fotógrafo deve dominar a técnica e seu equipamento - seja ele um super equipamento profissional ou um celular”, diz Willian Silveira, professor de fotografia na EBAC e profissional da área com experiência na cobertura de eventos esportivos como as Olimpíadas Londres 2012, Rio 2016, Copa do Mundo de 2014, além de edições da F1 no Brasil.

Confira a seguir a entrevista com Silveira, falando sobre a profissão e dicas para quem quer unir a paixão por esportes e pela fotografia em uma carreira de sucesso:
Senna em 26 de março de 1989, durante o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, no Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Na fotografia, Ayrton Senna pisca o olho para o chefe de equipe da McLaren, Ron Dennis, sinalizando que estava pronto para correr. Fotografia: Evandro Teixeira. (crédito: reprodução/google)
É preciso ser um fotógrafo com muita experiência para cobrir esportes? Como dar os primeiros passos nessa área?

É muito mais fácil cobrir um evento esportivo se o fotógrafo conhece minimamente as regras para saber em quais momentos deve clicar e quais os melhores momentos que devem ser escolhidos entre tantos arquivos na edição de todo material. 

Para  dar os primeiros passos nessa área, creio que apenas o treino traz a perfeição! Assim, um bom caminho é iniciar fotografando esportes acessíveis a cada um, seja um futebol entre amigos no bairro, um campeonato de basquete escolar regional ou apenas alguns amigos que se encontram para um skate na pista local. O aspirante a fotógrafo de esportes deve tornar-se um especialista naquele esporte e depois trafegar por outras modalidades e então tentar escalar para times maiores, confederações e campeonatos. Com um pouco de experiência, o credenciamento em uma agência de fotografia pode abrir as portar de inúmeros eventos nacionais e internacionais – mas é preciso um bom portfólio.

Na sequência: 1) Descalço, o maior maratonista de todos os tempos conquista Roma, 1960 (© COI/Wikipedia).

2) Saudação aos Panteras Negras, movimento negro nas Olimpíadas do México, 1968 – o assassinato do ativista pelos direitos civis e negros Martin Luther King.

3) Marta comemorando ao marcar de pênalti na semifinal de futebol do Rio, 2016, entre Brasil e Suécia, no Maracanã (Crédito: Buda Mendes/Getty Images).

4) Mulheres mulçumanas nas Olimpíadas de Londres, 2012. Os Jogos de Londres terminaram como um marco na afirmação feminina em países mulçumanos. Londres foi a primeira vez em que a Arábia Saudita, assim como Catar e Brunei, enviaram atletas mulheres para os jogos. Foi a PRIMEIRA VEZ na história dos jogos, que todos os países participantes enviaram delegações femininas.
Quando se trata de campeonatos nacionais, como é a preparação para participar como fotógrafo desse tipo de evento? Quais equipamentos próprios são necessários?
Falando em fotógrafos profissionais que cobrem esportes, algumas confederações, como as que regem o futebol no Brasil, liberam o credenciamento prévio e acesso às áreas restrita somente mediante apresentação da carteira da associação dos repórteres fotográficos e cinematográficos – ARFOC, sendo que cada estado tem sua própria ARFOC. 

Outros eventos credenciam somente fotógrafos ligados a veículos de comunicação, agências nacionais ou internacionais de fotografia e fotógrafos ligados às confederações esportivas (Confederação de atletismo e natação mantém fotógrafos próprios, por exemplo). 

Em relação a equipamento, o esporte solicita desde lentes curtas, como uma grande angular de 14mm até uma teleobjetiva, como as tradicionais 400mm utilizadas em jogos de futebol, por exemplo. Mas isso pode variar de acordo com o tipo de esporte que se cobre. Além das lentes, câmeras intermediárias e top profissionais podem ajudar muito na hora dos cliques. Em grandes eventos, o computador com acesso a internet também será necessário uma vez que as agências e redações querem foto minuto a minuto para venda ou como parte da cobertura jornalística. 
Icônica imagem de Usain Bolt
Os fotógrafos ficam em campo ou em uma área reservada a eles nas quadras e gramados? 
Sim, todo evento esportivo de médio e grande porte delimita uma área para fotografia, Photo Position, ou posições de fotografia, sendo que quase sempre, o fotógrafo fica exposto a todo tipo de situação, por isso, uma boa capa de chuva para o equipamento é essencial.

Qual a parte mais emocionante de ser um fotógrafo esportivo? 
Na verdade, tudo é muito intenso. Desde o acesso a eventos internacionais de grande porte onde você tem um contato muito próximo com grandes nomes do esporte e poder ver suas imagens sendo mostradas para um número enorme de espectadores é extremamente emocionante. 
Fotógrafos posicionados durante os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020
Falando em Olimpíadas, como é a preparação para um evento dessa magnitude? É possível ir como freelancer ou é preciso estar ligado a algum veículo ou agência jornalística?

Um evento olímpico é o que existe de mais organizado em vários sentidos, inclusive na captação de fotografia e vídeo. Todas as arenas, posições de fotografia e horários das provas são pensados para que seja feita a melhor captação de imagem possível.

Um fotógrafo que cobre olimpíadas, geralmente já tem bastante experiência fotografando esportes em seu país e precisa necessariamente estar ligado a um grande veículo de comunicação, uma agência de fotografia ou uma Confederação nacional de um esporte específico, por exemplo. Isso porque o comitê olímpico Internacional abre um número limitado de vagas para credenciamento de fotógrafos e são extremamente criteriosos em relação a quais veículos terão mais ou menos vagas de fotografia. Com isso, é praticamente impossível ser credenciado como freelancer.

Em relação à preparação para se fotografar uma Olimpíada, o fotógrafo precisa de tanto preparo físico quanto um atleta, afinal, se deslocar de um venue olímpico para outro, durante todo o dia, das 8 às 22h, requer perna e costas para carregar o peso do equipamento.
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Professor: William Silveira
Desde 1998 William Silveira vem trabalhando como fotógrafo junto à duas gigantes do ramo da imagem, a SONY e a NIKON. Na última, esteve à frente do projeto Nikon Professional Services, que deu suporte a fotógrafos e agências que cobriram eventos como as Olimpíadas Londres 2012, Rio 2016, Copa do Mundo de 2014, além de edições da F1 no Brasil. Foi criador e um dos palestrantes do Nikon School, por onde passaram mais de três mil alunos. Participou de diversas exposições autorais no Brasil e de workshops internacionais, sendo júri em concursos, prêmios e festivais de fotografia.