Carreer 
Quanto você precisa investir para mudar de carreira?
Carolina Fiordelisio especialista do Centro de Carreiras da EBAC fala sobre o planejamento financeiro e emocional necessários para essa grande virada de vida
A falta de empolgação com o trabalho já é uma presença garantida nos últimos tempos e nem mesmo novos projetos ou a promessa de promoção de cargo causam alguma animação? Isso pode significar mais que apenas mudar de empresa: muitas vezes, a insatisfação é com a escolha profissional. “As transições de carreira são cada vez mais frequentes, novas profissões estão surgindo e a carreira é vista sob uma perspectiva mais dinâmica, sendo possível ter diversas experiências ao longo da vida”, diz Carolina Fiordelisio, do Centro de Carreiras da EBAC. Em outras palavras, é um momento promissor para tentar novas oportunidades.

Talvez a ideia de mudar de área já tenha rondado você, mas são muitos pontos a serem levados em consideração. Não existe uma fórmula mágica, mas Carolina dá algumas dicas de como tornar a mudança e a trajetória rumo a um novo caminho profissional o mais seguro possível – tanto para seu bolso como para sua cabeça.
Autoconhecimento é fundamental
Identificar o que você está sentindo é o primeiro passo. Ou seja, entender exatamente quais são suas insatisfações -- será que você apenas está desmotivado por que não sente que está crescendo na empresa ou a desmotivação vem porque aquele tipo de trabalho já não te dá mais prazer, por exemplo? 
“É comum que haja algum incômodo voltado à atividade profissional, uma insatisfação constante e, neste momento, se compreender é um importante aliado para perceber se realmente é o caso de realizar uma mudança de carreira. Investigue fatores como seus interesses, habilidades e preferências, procurando perceber o que não está alinhado com a atividade profissional atual”, diz Carolina.

Esta investigação ajuda a definir o formato da mudança que você precisa fazer: se seria de área de atuação, de empresa, de equipe... Se você não conseguir identificar isso sozinho, a procura de um psicólogo pode ser indicada.
Reconheça seu momento emocional
Se você percebeu que sim, sua insatisfação é com a carreira, vem a hora de entender o momento que você está vivendo emocionalmente. “Você tem que ter a percepção de que esta opção é a mais coerente para você nesse momento, tendo a consciência de que somos responsáveis pelas nossas escolhas e que não existem trajetórias ideais para todos e sim, as que fazem mais sentido para cada um de nós”, diz Carolina. “Se tivermos a consciência de que a escolha faz sentido, fica mais leve lidar com esta decisão.”

Identifique suas competências
“Aqui, é importante avaliar habilidades e competências já desenvolvidas ao longo da sua trajetória que possam ser aproveitadas e não necessariamente levar a pessoa a começar do zero.” Por exemplo, se você é um jornalista que, trabalhando com diferentes formas de linguagem, criou uma boa percepção do texto usado em marketing, um curso nessa área pode ser um caminho mais curto na sua mudança de carreira.
É claro, há sempre a possibilidade de você perceber que o que queria era design e você cursou medicina, mas tenha em mente que esse tipo de mudança mais “radical” vai levar mais tempo e, provavelmente, mais investimento financeiro.
Pesquise sobre a nova área de atuação
E aqui não estamos falando apenas de considerar o salário médio e se ele condiz com o que você visualiza para você, mas também de entender mais a fundo o dia a dia daquela profissão. “Converse com pessoas que já atuam nesta, de modo a poder fazer uma análise realista e diminuir o risco de existir uma ilusão em relação ao que você espera.”
Junte uma reserva financeira
Não largue seu emprego atual uma vez que você decidiu dar esse passo, é mais aconselhável fazer as coisas com cautela.
“O planejamento financeiro é um aspecto importante, principalmente quando é uma mudança grande em relação à área de atuação. A reserva financeira é essencial para garantir uma segurança e permitir ter um maior controle em relação a esse período”, diz Carolina.

A indicação dela é avaliar os rendimentos atuais -- quanto você realmente precisa gastar para sobreviver mantendo seu estilo de vida e quanto dos gastos são supérfluos e você pode abrir mão?

Depois, considere o tempo médio atual para uma recolocação – segundo o último relatório do Serviço de Proteção ao Crédito (de antes da pandemia), 14 meses são a média que um profissional no Brasil leva para achar um novo emprego. Mas isso pode mudar de área para área. Pesquise qual o tempo para a que você quer e, considerando esse período, seus rendimentos e seus gastos atuais, descubra quanto você precisa juntar antes de abrir mão de vez do seu antigo emprego.
Avalie suas posses
“Abrir mão de posses como um carro pode ser uma opção para juntar uma grana mais rapidamente, desde que haja uma análise cuidadosa do impacto que a falta de um determinado bem pode fazer na vida da pessoa. Por exemplo, avalie a frequência de uso do carro, a distância dos locais para onde você costuma ir e os motivos do uso desse bem. Caso você não tenha mais esse meio de locomoção, quais seriam as alternativas para ir até os lugares necessários?” Como Carolina coloca, às vezes abrir mão de bens não oferece vantagens ao realizar uma análise custo-benefício.

Comece aos poucos
“Faça uma entrada gradual na nova área de atuação, ao dar espaço a novos projetos pontuais na nova área que se quer entrar”.
Comece fazendo cursos em horários que você consegue conciliar com seu trabalho atual e, depois, com um pouco mais de conhecimento -- e até possíveis contatos que você vai fazer durante as aulas --, vá fazendo “freelas” na nova área, até você se sentir seguro para largar a anterior de vez.