Audiovisual

O mundo vê o Brasil: como aproveitar as oportunidades no crescimento do streaming nacional

O streaming nunca esteve tão em alta. A pandemia da covid-19 impulsionou estúdios de cinema, diretores e produtores a procurar alternativas para que seus lançamentos alcançassem expectadores ávidos por novidades. Com as restrições impostas pelo isolamento social, empresas de entretenimento apostaram suas fichas no on demand com movimentações notórias. A megaprodução “Mulan”, filme dirigido por Niki Caro, teve seu lançamento adiado várias vezes para finalmente estrear mundialmente no Disney+ em dezembro passado.

Atraídos pelas oportunidades do setor, serviços de streaming se popularizaram no mercado brasileiro além dos tradicionais players como Netflix, GloboPlay, Amazon Prime Video e, mais recentemente, Disney+. Entram nesta lista Looke, Apple TV+, Mubi, Crunchyroll, Telecine, entre outros. A mais recente novidade é a chegada do HBO Max (serviço já disponível nos Estados Unidos) prevista para junho de 2021.

O fato é que este crescimento expressivo do streaming brasileiro também levou as nossas produções locais para outro patamar em termos de distribuição, audiência e popularidade. Uma célebre representante deste fenômeno é a série recentemente lançada pela Netflix “Cidade Invisível”, dirigida por Carlos Saldanha. Trazendo uma trama que mistura ícones do folclore brasileiro com um thriller psicológico empolgante, a série permaneceu como uma das mais assistidas da Netflix, ao menos por um dia, em mais de 40 países incluindo o Brasil. O sucesso valeu a confirmação da segunda temporada da série, informação divulgada pelo próprio ator protagonista, Marco Pigossi.
“Cidade Invisível” é uma produção da Prodigo Films com finalização da O2 Pós, a casa de pós-produção e efeitos visuais da O2 Filmes. Para melhor compreender este momento tão positivo para o streaming, conversamos com Paulo Barcellos, diretor geral de pós-produção na O2 Pós. Confira a entrevista a seguir:
Paulo Barcellos, diretor geral de pós-produção na O2 Pós
1. Após a estreia do serviço de streaming Disney+, em breve teremos no mercado brasileiro a plataforma HBO Max. Como a O2 Filmes vê na prática esta janela de oportunidades com a ascensão do streaming no mercado brasileiro?

Há uma clara mudança no mercado que começou com a chegada da Netflix no Brasil. Ocorreu uma transição da produção nacional subsidiada pela ANCINE para a produção nacional contratada pelas plataformas de streaming. A chegada da Disney+ no Brasil só aumenta a demanda por conteúdo nacional de qualidade e estamos muito contentes com mais essa oportunidade para as produtoras brasileiras.

2. Dizia-se tempos atrás que a TV mataria o rádio, que o cinema mataria a TV. Nada disso aconteceu. O caminho de sobrevivência das mídias tradicionais é o on demand?

Eu acredito que o cinema vai acabar mais parecido com o que o teatro é hoje. Você vai para assistir a um espetáculo, será um evento. A tela grande e a experiência compartilhada com estranhos numa sala escura não vai acabar, mas não será pra qualquer filme. Só grandes produções chegarão na telona.

3. Atualmente vemos séries brasileiras popularizando-se no exterior graças aos serviços de streaming. Irmandade (Pedro Morelli) e Cidade Invisível (Carlos Saldanha) são dois exemplos que abordam a vida na periferia e o folclore brasileiro respectivamente. Quais são o(s) fator(es) mais interessante(s) em nossas produções?

Eu ouvi uma frase uma vez, acho que de um executivo da Netflix em alguma palestra: Quanto mais local o conteúdo, mais global ele é. Isso porque as pessoas adoram conhecer outras culturas, outras realidades. Meus pais, por exemplo, adoram assistir séries da Escandinávia, é curioso ver um estilo de vida diferente do seu. O americano nunca assistiu tanta série estrangeira - estão se acostumando com as legendas. Isso é parte de um processo de mudança cultural que tem se acelerado. Eu acho que o Brasil é um país visto por muitos como exótico, diferente, e essas produções ajudam a mostrar um pouco da nossa história mundo afora.

Em “Cidade Invisível” o fator mais interessante foram os efeitos visuais - inéditos em produções brasileiras. Em “Irmandade”, a maneira de produzir uma série onde parte se passa numa cadeia foi um dos grandes desafios.
4. A série “Cidade Invisível” do diretor Carlos Saldanha, produzida pela Prodigo Films e finalizada na O2 Pós, é um sucesso mundial. Quais foram as técnicas aplicadas na pós-produção da série?

É com certeza a maior série de efeitos que já trabalhamos. A O2 Pós dividiu a produção dos efeitos com outras empresas, e isso foi um grande desafio que nos habilita a trabalhar com produções maiores, mais complexas. É assim que acontece nas grandes produções com efeitos. A série teve diversas técnicas como composição, matte painting, modelagem, animação, render, FX, simulação, color grading, e outras.

5. O curso de Matte Painting da EBAC realizado em parceria com a O2 é uma oportunidade para quem quer atuar no mercado do audiovisual. Vocês teriam algum conselho para quem deseja trabalhar numa grande produtora?

Procure sempre fazer mais do que esperam de você. Nunca se limite "artificialmente", exemplo: o diretor pediu azul e entreguei azul. Faça a opção do diretor, mas se você acredita em outro caminho, invista nesse caminho e tente vender para o diretor porque o seu caminho é a melhor opção. O trabalho artístico é muito abstrato, e o artista precisa vender a ideia dele. Aquele que só executa o que é pedido está condenado a mediocridade e terá dificuldades de se destacar no mercado. Ah, e claro, apesar de clichê, você só consegue (no exemplo que dei) fazer duas versões de um projeto com prazo curto se amar o que faz, porque você vai gastar horas fazendo a versão do diretor, e depois terá que gastar mais horas fazendo a sua para provar pra ele que o seu caminho é mais legal. E se você não adorar desenhar, isso vai ser uma tortura. Além do que você tem que estar preparado para ouvir "não".
Quer atuar em pós-produção no cinema, publicidade e games?

Em parceria com a O2 Filmes, premiadíssima casa de finalização e efeitos visuais, a EBAC lançou o curso online Matte Painting para cinema, publicidade e games. Quer saber mais? Confira o trailer abaixo:

O curso online de Matte Painting está estruturado em 13 módulos que abordam desde uma introdução geral, aplicações da técnica na indústria, práticas para um aspecto profissional em DMP até módulos de introdução ao Blender 3D, Photoshop e Nuke. Além destes, você terá um outro módulo específico sobre Marketing na área de Matte Painting. Ao final do programa, você terá desenvolvido um portfólio incrível que irá fazer qualquer diretor de cinema, produtora de games ou agência de publicidade se impressionar com seus trabalhos.


Nossos professores: Luis Dourado e Rafael Casagrande


Nosso curso com a produtora O2 Filmes apresenta aulas com dois experientes profissionais na área de Matte Painting e VFX. Luis Dourado foi matte painter de Aquarius, filme com direção de Kleber Mendonça Filho indicado ao Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2016. Por sua vez, Rafael Casagrande é compositor digital para filmes, séries e comerciais na O2. Como especialista em computação gráfica, atuou na pós-produção de trabalhos de ficção com o filme A Vida Invisível.


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