Audiovisual
Dicas essenciais para um portfólio competitivo em modelagem 3D
Versatilidade é a principal característica desta profissão. Conversamos com o professor Daniel Rivers sobre dicas de construção de um portfólio de sucesso
A indústria de games tem se tornado cada vez mais atrativa para artistas 3D. Razões para esse fenômeno não faltam. Graças às inúmeras oportunidades criativas e ao seu consistente sucesso de vendas e marketing, o mercado de jogos já é uma rota popular para artistas 3D em busca de trabalho ou que desejam se desenvolver nesta área. 

Não é exatamente uma surpresa numa profissão cuja principal característica é a versatilidade. Sabemos que um artista 3D possui inúmeras possibilidades de atuação profissional, principalmente no mercado de entretenimento. É justamente essa versatilidade que garante aos profissionais uma alta empregabilidade, permitindo que trabalhem tanto como contratados fixos quanto freelancers em estúdios de games, televisão e agências, simultaneamente ou não. 

O que é a modelagem 3D?

Antes de prosseguirmos é importante compreender o que é a modelagem 3D.

Resumidamente, modelagem 3D é uma técnica em computação gráfica que produz uma representação digital 3D de qualquer objeto, superfície ou personagem.

Um artista 3D portanto utiliza softwares específicos para manipular pontos no espaço virtual (chamados vértices) para formar uma malha que é uma coleção de vértices que formam um objeto. Estes softwares geralmente são programas como Blender, Substance Painter, Marmoset Toolbag e o conhecidíssimo Photoshop.
No processo de modelagem 3D, os objetos tridimensionais são gerados automaticamente ou criados manualmente através da própria deformação da malha ou, de outras maneiras como, por exemplo, alterando os vértices.

Como mencionamos, esta é uma área profissional extremamente versátil. Os modelos 3D são usados ​​para uma variedade de mídias, incluindo videogames, filmes, arquitetura, ilustração, engenharia e publicidade, obviamente.

Se agora temos uma definição, você deve estar se perguntando: e agora, o que faço para ser um requisitado artista de modelagem 3D, ser reconhecido pelo meu trabalho e ganhar dinheiro em cima da minha obra? Construir um portfólio competitivo é sem dúvida a resposta para uma parte ínfima deste processo.

E lá vem a parte difícil."Trabalhe mais, sonhe menos. O processo de descoberta de sua vocação artística acontece enquanto você está produzindo", explica Daniel Rivers. 

Daniel atua há mais de 10 anos como artista 3D no mercado brasileiro de desenvolvimento de games e também como professor da EBAC Online.
Estudar exemplos de portfólio é uma ótima maneira de aprender como apresentar seu trabalho para clientes em potencial, mas ter dicas profissionais faz toda a diferença. Outra questão é definir o que você gosta de fazer nesta área.

"Você quer estar na indústria? O portfólio é só um detalhe final. Não há um tempo definido para saber em quanto tempo você terá um emprego. A pergunta que todo aluno deve fazer a si mesmo é quanto tempo disponível ele/ela tem disponível para trabalhar em seus projetos. Este é o raciocínio correto".

Outra dica que Daniel nos dá é justamente sobre a remuneração. "Não pense em dinheiro. Ter uma estimativa de quanto você gostaria de ganhar no começo de sua carreira até ajuda, afinal pais gostam de filhos ambiciosos, mas pensar constantemente na remuneração acaba gerando uma pressão psicológica, o que não é saudável e que acaba impactando negativamente na criatividade e produtividade do artista".

Se a construção de um portfólio é uma consequência final do tempo dedicado aos estudos de um aluno, ele não deixa de ser um fator imprescindível na divulgação do trabalho de um artista 3D. "Se você tem um objetivo nítido, por exemplo, talvez você queira ser um game artist, se dedique durante seus estudos e conclua sua fase de aprendizado com obras que farão a diferença em seu portfólio", afirma Daniel em durante nossa conversa.
O que agências querem ver de um profissional em modelagem 3D é a sua habilidade de produzir. Certifique-se de que seu trabalho seja a atração principal e que a navegação em seu portfólio seja a mais simples possível. A maioria dos profissionais usa a plataforma ArtStation para divulgar seus trabalhos, mas você pode também utilizar outras mídias para alavancar sua divulgação por meio de redes sociais como Instagram e YouTube, por exemplo.

Aliás, outros artistas criam demos em canais no YouTube, o que pode ser útil para alguns tipos de trabalho caso esteja pensando em candidatar-se para uma oportunidade.

Seu portfólio deve igualmente conter uma narrativa convincente. Porém, como assim “narrativa”?

Adicione uma história sobre cada trabalho que você fez para diferentes clientes. Conte a seus entrevistadores como concluiu o job, como conseguiu aquele determinado trabalho e quais foram os resultados obtidos através dele.

Outra sugestão útil é ajustar seu portfólio de acordo com o perfil do estúdio ou trabalho almejado.

“Os estúdios escolherão portfólios de artistas que mais atendam às suas necessidades atuais. Por exemplo, se estou trabalhando no desenvolvimento de games 3D em cartoon, selecionarei os artistas que mais se adequam àquela situação momentânea do meu estúdio”, explica Rivers. 

Para Daniel, um fenômeno constante atualmente é o outsourcing.

“Temos estúdios brasileiros que terceirizam seus trabalhos dependendo de cada etapa de um projeto. Eles geralmente pagam melhor que outras indústrias gigantescas, além oferecer a oportunidade para que profissionais de modelagem 3D aprimorem a qualidade de seus portfólios e participem de inúmeros projetos".

Segundo ele, esta tendência de outsourcing em alguns estúdios é uma oportunidade para diversificar ainda mais a área de atuação destes artistas e profissionais.
Priorize a qualidade sobre quantidade

O fato é que apresentar um ou dois grandes projetos é infinitamente melhor que expor outros vários menos relevantes. Portanto, quando estiver montando seu portfólio, certifique-se de incluir apenas seus melhores trabalhos.

Conheça alguns projetos do professor Daniel Rivers e de seus alunos para inspiração:
Além disso, não se apegue a projetos antigos que às vezes não correspondem à sua evolução técnica e criativa.

Tenha em mente que um portfólio não é uma galeria na qual você pode adicionar infinitas imagens. É literalmente uma vitrine daquilo que você produz de melhor. Para tornar seu portfólio mais atraente, tente incluir uma diversidade de projetos.

A diversificação de seu portfólio demonstra sua habilidade de trabalhar com diferentes clientes, contextos e situações, além de gerar maior confiança de que você também é capaz de executar seus trabalhos do início ao fim.

Por exemplo, em vez de exibir 5 modelos que você criou para cinco empresas de games, você pode, por exemplo, apresentar 3 projetos desenvolvidos para empresas de jogos e, em seguida, 2 modelos 3D criados para agências de publicidade ou para um estúdio de televisão.

Conversar com outras pessoas da área é bastante útil. Pedir a opinião delas sobre seus trabalhos e saber receber o feedback de outros profissionais potencializa suas chances de criar um portfólio que irá agradar seus recrutadores.

Os pequenos detalhes que fazem a diferença

Diretores criativos de estúdios de jogos recebem muitos portfólios que são frequentemente de altíssima qualidade. Consequentemente, o desempate poderá acontecer na avaliação da compreensão de fundamentos básicos como, por exemplo, perspectiva, luz, anatomia e composição. Conhecimento sólido nestes aspectos cria uma vantagem para largar na frente de outros candidatos.

Atingir este nível de capacidade de detalhar pequenos elementos estruturais é uma benefício e tanto, mas é determinante também numa indústria onde o fotorrealismo é uma técnica cada vez mais difundida.

"Na maioria dos segmentos de games há uma demanda por tipos específicos de arte em 3D. Porém, ouso dizer que o fotorrealismo sempre sairá na frente já que é uma tendência geral entre os usuários. Vemos elementos de fotorrealismo até em outros estilos como o cartoon. Um exemplo prático é o título Ratchet & Clank, lançado recentemente para PS5, o jogo é inspirado em animação, contudo, é possível observar elementos ultrarrealistas como a pelagem do personagem Ratchet e a textura de sua roupa".

"A tecnologia e o público pedem mais realismo, até para trabalhos que estão fora do contexto de jogos", explica Rivers.

Nosso último conselho é simples: mantenha sempre a consistência em seu portfólio.

Consistência é essencial para que a percepção de profissionalismo aumente em relação seu trabalho, detalhes desde aos layouts das páginas até a aparência estética e estilo artístico de seus projetos.

E, para finalizar, acredite no seu talento. Sempre.

Modelagem 3D: criatividade, técnica e versatilidade


O artista 3D possui inúmeras possibilidades de atuação profissional, principalmente no mercado de entretenimento. Essa versatilidade é o que garante à modelagem 3D uma empregabilidade altíssima.

Pensando nisso, a EBAC lançou o curso Modelagem 3D do Zero. Ideal para quem quer fazer projetos de modelagem 3D profissionalmente. Neste curso você vai explorar os recursos dos principais softwares do mercado para esta finalidade.


Confira o trailer abaixo:

Neste curso, vamos apresentar ferramentas para você criar modelagem 3D com qualidade profissional e os principais recursos técnicos para se destacar no mercado de trabalho. As videoaulas são separadas por módulos para facilitar o aprendizado. Você assiste quando e onde quiser - e pode rever o material pelo período de dois anos.


Pratique nos softwares para modelagem 3D mais usados do mercado e adquira conhecimento em Blender, Photoshop, Substance Painter e Marmoset Toolbag.


Nosso professor: Daniel Rivers


Atua há mais de 10 anos como artista 3D no mercado de desenvolvimento de games no Brasil. Trabalhou em diversos jogos da Glu Mobile, incluindo Blood and Glory que teve mais de 10 milhões de downloads.


Quer dominar as ferramentas e técnicas para modelagem 3D e aprender, na prática, como utilizar este conhecimento para ingressar em diversos setores de atuação?