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Brasileiro é referência mundial na fotografia de moda

Conheça a trajetória de Rafael Pavarotti, nome importante que já clicou Beyoncé, Rihanna e Harry Styles

23 de junho, 2022

Na última quinta-feira (16), a cantora Beyoncé anunciou seu sétimo álbum de estúdio, Renaissance. O anúncio foi feito com a publicação da capa e uma reportagem na revista Vogue Britânica, uma das publicações de moda mais importantes do mundo. E quem fotografou a artista foi o brasileiro Rafael Pavarotti, em uma sessão em Los Angeles, em abril deste ano.

O fotógrafo brasileiro Rafael Pavarotti. Crédito: Reprodução.

Aos 29 anos, Pavarotti já tem uma extensa carreira no mundo da moda, que inclui trabalhos para grifes como Dior e Dries Van Noten. Sua notoriedade vem do seu olhar sensível e ao mesmo tempo excêntrico na construção imagética. Pavarotti costuma usar seu trabalho editorial na moda como um prisma para explorar e comentar questões sociais e culturais, como ao representar a sua ancestralidade e a cultura negra sem clichês.

Campanha Global da H&M.
Crédito: reprodução
Vogue Hommes 2020.
Crédito: reprodução
Vogue US September 2021 issue, fotografando a atriz Wunmi Mosaku. Crédito: Reprodução.

O trabalho de Pavarotti tem um olhar sensível, excêntrico e representa pessoas negra sem clichês.

“A celebração da experiência negra e indígena, especificamente, sempre fará parte do meu trabalho, porque também faz parte de mim. Como um fotógrafo afro-indígena brasileiro, minha existência e meu trabalho já são políticos”, diz ele, em entrevista ao British Journal of Photography.

De acordo com a agência Art+commerce, que o representa no exterior, "a potência de seu trabalho – que promove o embelezamento e normalização dos corpos negros e indígenas – surgiu em meio a apelos abrangentes por justiça racial." A agência é uma das mais prestigiadas do mundo.

Quem é Rafael Pavarotti

Rafael nasceu no distrito de Icoaraci, um dos oito que divide o município de Belém (PA). Ele começou a fotografar aos 15 anos e aos 16 anos deixou a cidade natal para tentar carreira na moda no Sudeste do país.

Em entrevista para o site Something Curated, em 2020, Pavarotti conta que aos 12 anos encontrou uma câmera fotográfica analógica de seu pai e começou a levar a câmera para a escola escondido. Ele e os amigos juntavam dinheiro para comprar filmes e fotografavam a si mesmos nas praias de água doce ou entravam em prédios abandonados.

Depois de acompanhar uma amiga que trabalhava como modelo em um shooting (que durou um dia inteiro), ele conta na entrevista que sentiu a vocação chamar. “Senti que não poderia escapar; era algo que estava batendo no meu peito desde o primeiro momento que peguei aquela câmera do meu pai e revelei meus primeiros filmes”.

Então, aos 16 anos, ele se jogou em uma verdadeira aventura ao decidir deixar sua cidade e ir para as grandes metrópoles. Viveu entre Rio de Janeiro e São Paulo e se estabeleceu como um prodígio ao clicar diversos editoriais de moda e matérias de lifestyle para publicações como Vogue, Elle e Harper's Bazaar. Aqui, o blog do fotógrafo com imagens de editoriais do começo de sua carreira.

O trabalho meticuloso da construção narrativa da imagem

Não apenas nos ensaios de Beyoncé ou o de Rihanna, para a revista britânica Dazed, em 2021, é possível sentir a sensibilidade do fotógrafo em criar uma história com suas imagens. Ele constrói meticulosamente seu trabalho com cor, luz e cuidado com a composição.

A crítica e escritora britânica Joanna Cresswell analisa em um artigo para o British Journal of Photography a técnica de Pavarotti: “Usando uma mistura de fotografia analógica e digital, seu trabalho são ricas camadas de uma paleta de profundos escarlates e laranjas, pretos e azuis, e muitas vezes assumindo a forma de fotos ousadas de estúdio, experimentos em câmara escura e colagens esboçadas ou sobrepostas com texto.”

Vogue Hommes 2020. Crédito: Reprodução/Instagram @rafaelpavarotti_
Vogue UK sep issue/2021. Crédito: Reprodução/Instagram 

Quando perguntam a ele sobre suas escolhas de cores, ele aponta sua família, mas principalmente sua avó, que sempre usou uma paleta vívida.

“Sempre que alguém me pergunta sobre minhas cores, digo que são inspiradas nas louças coloridas da minha avó. Cresci com ela, apaixonada pela composição de cores na casa dela, até hoje quando a visito fico encantado com a disposição das cores pela casa. É sem dúvida o que mais me inspira hoje. O mundo da minha avó é colorido e o meu também! Cada cor escolhida dentro do meu trabalho tem um significado. Elas estão lá para deixar uma mensagem sutil junto com o assunto”, diz o artista para a Something Curated.

“Com apenas uma foto você pode abrir toda uma história, ou contar uma história inteira através de diferentes cores, estilos e mídias.”

Representatividade negra no foco

Pavarotti usa seu trabalho como fotógrafo de moda para falar de política, sonhos e história, dirigindo sua atenção para a necessidade de abordar a falta de representação negra na história da fotografia. Ele faz isso usando a fotografia como ferramenta poderosa para transformar como as pessoas negras e indígenas são percebidas por meio da moda. O que inegavelmente ele faz muito bem.

“Quero que as crianças racializadas cresçam com referência à multiplicidade onde possam se ver. Parte do que trago no meu trabalho é abordar essa ausência de representação negra na narrativa histórica do mundo.”

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