AUDIOVISUAL

“Eu sou apaixonada por contar histórias”
Edição de filmes é muito mais do que juntar os takes: Aline Cunha, editora de vídeo, fala sobre a profissão, carreira e o dia a dia como editora de filmes
Mais do que juntar os takes bons da filmagem, o editor de filme precisa saber a fundo a linguagem cinematográfica e conhecer muito de narrativa para conseguir dar forma a uma história que foi imaginada e filmada por outra equipe. 

Pois é, a narrativa é só coisa de roteirista, não. Para explicar mais sobre essa profissão, convidamos a editora de filmes e vídeos Aline Cunha, de São Paulo, parte do Coletivo NOMA
Nessa época, ainda usávamos câmera com fitas beta, e eu anotava em um papel que ficava guardado junto às fitas, tudo o que era relevante para a edição. 
Sua formação é em publicidade e propaganda. Como você foi para o audiovisual?

Conheci um grupo de mulheres que estudavam cinema e trabalhavam na área, e logo no primeiro período da faculdade eu consegui um emprego temporário para uma campanha política – que é um momento que gera muita demanda de trabalho no mercado audiovisual. 

Lá em 2004, eu não sabia quase nada desse universo e comecei fazendo decupagem das gravações. A decupagem é o processo de descrever cena por cenas, as ações, cenários e tudo o que está gravado. Nessa época, ainda usávamos câmera com fitas beta, e eu anotava em um papel que ficava guardado junto às fitas, tudo o que era relevante para a edição, posteriormente. 

Da decupagem para a assistência de edição, foram 4 meses de trabalho. E depois continuei trabalhando nessa produtora por um tempo depois de terminada a campanha política. Foi um momento de muito aprendizado. Quando eu saí dessa produtora, 3 anos depois, eu já era editora júnior.
Ilha de edição em uma emissora de TV
Onde trabalhar?
Ao longo dos meus 15 anos de carreira, eu já trabalhei em diversas produtoras de audiovisual, emissora de TV e agência de publicidade. Acredito que cada um desses lugares tem algo pra te ensinar e sua própria dinâmica de trabalho.

Conheci muita gente e trabalhei com muitas pessoas diferentes. Hoje eu sou freelancer, me acostumei com a liberdade e a flexibilidade dos horários e prefiro não estar trabalhando fixo em nenhum lugar.

Acredito que ter tido toda essa experiência, criado um bom portfólio e feito alguns contatos, permite que hoje eu consiga trabalhar da forma que eu quero – mas foi um longo caminho até aqui!
Como é um dia típico na sua rotina? 
Para um freelancer a rotina é muito variada. Nos últimos anos, eu consegui priorizar projetos em que posso trabalhar de casa, o que torna a rotina mais estável. Mas a verdade é que cada semana, é uma semana – e tem semanas que eu acordo às 7h da manhã pra trabalhar e termino só às 20h e outras em que eu começo o trabalho às 14h e termino às 19h. 

É muito importante saber se organizar: organizar o tempo, entender o tempo real que cada projeto precisa para ser feito, entender as etapas e construir um cronograma semanal para cada projeto. Para um freelancer, saber cumprir prazos é fundamental. 

O que é preciso para se tornar um excelente editor de vídeo?
É preciso gostar muito, ter paciência e gostar de contar histórias. Os softwares mudam muito e cada vez essa mudança é mais rápida. Eu comecei editando em Avid, fui pro Final Cut, agora edito em Premiere. Então cada momento é um momento, e às vezes as produtoras usam softwares diferentes.

É importante se manter atualizado quantos aos softwares e as facilidades que aparecem para nos ajudar a executar o trabalho com qualidade e agilidade, é verdade.

Mas o importante, mesmo, é saber usar a ferramenta para contar a história que você quer:  para além dos softwares, é essencial entender as narrativas, saber como contar cada história, entender a alma, a essência do seu material e conseguir tirar o melhor dele.

Assistir filmes, ver referências de vídeos, literatura, fotografia, teatro, enfim beber na fonte do que a humanidade vem fazendo ao longo de toda a sua existência que é contar histórias.

O mercado do Audiovisual vem crescendo rápido no Brasil e no mundo, nunca estivemos tão conectados e se produziu tanto conteúdo em vídeo como agora, para smartphones, redes sociais, plataformas de streamings e canais de TV.


Nesse curso de 4 meses, você irá adquirir conhecimento para se tornar um profissional em edição de vídeo e criar projetos incríveis.


Nossos professores: JAIR PERES - Editor de Filmes Sênior

Com mais de 25 anos de experiência em edição de filmes e storytelling. Trabalhou como Editor de Filmes, por quase 10 anos, na agência de publicidade DM9DDB (atual SunsetDDB). Desde 2002, desenvolveu uma carreira independente como freelancer e acumula trabalhos incríveis em publicidade, longa metragens, séries, documentários, videoclipes e branded content, inclusive como editor internacional.


Desde 2017, atua como Editor de Filmes Sênior, na The End, estúdio especializado em edição e pós produção de filmes, séries e campanhas publicitárias. No mesmo ano começou a dar aulas de história do cinema no curso de Edição de Filmes da Ebac. Atualmente, além de lecionar, também é Coordenador dos cursos online e presencial de Edição de Filmes.


Você já deve ter visto as edições do Jair em grandes produções do cinema brasileiro como "O Cheiro do Ralo", de Heitor Dhalia, "Quebrando o Tabu", de Fernando Andrade, "Crô", de Bruno Barreto e "Morto não Fala", de Dennison Ramalho.


Duda Izique - Fundador e Diretor Executivo na The End

Com mais de 15 anos de experiência, já trabalhou em mais de 40 longa metragens nas principais produtoras do país e com diretores como Bruno Barreto, Selton Mello, Vicente Amorim e Karin Ainouz. Ao longo da carreira, entregou mais de 300 episódios de TV para canais como HBO, Netflix, Space, TNT, Discovery, entre outros.