Design

Decoração e design de interiores: qual a diferença?

O assunto é #polêmico entre os profissionais da área: apesar das semelhanças, cada um foca em um aspecto diferente do projeto
Decoração e design de interiores são frequentemente confundidos como a mesma profissão mas os termos não são completamente sinônimos. É verdade que existem muitas similaridades entre os cursos (como a paixão por transformar ambientes) mas também diferenças significantes – o assunto é quase polêmico! Pedimos ao arquiteto e designer de interiores Cezar Figueiredo, da Desembola, para nos ajudar na missão de acabar com esse tabu e diferenciar uma área da outra.
Estúdio da Imperatriz Eugênia em St. Cloud c.1860. (Crédito: Baptiste Fortuné de Fournier. Aquarela. Mallalieu, 1999)
O surgimento de cada profissão

“A decoração é uma atividade que está presente desde as primeiras civilizações. Se você olhar através da história, vai identificar que ornamentar e pensar no ambiente construído sempre esteve presente desde os templos mais antigos. Ela sempre foi uma atividade extremamente artística e sempre teve esse desafio de traduzir o pensamento das civilizações nos ambientes que habitavam”, conta o arquiteto. A decoração é e sempre foi, portanto, uma ferramenta de contar a nossa história no mundo.

“A partir do século 18, a decoração começa a ganhar novas camadas de complexidade a partir da revolução industrial e das mudanças que a sociedade passa a atravessar. A partir do momento que a sociedade muda a forma de habitar, trabalhar e usar os espaços, essas mudanças trazem camadas mais técnicas à decoração e isso se acentua no século 20. Com o desenvolvimento de novas tecnologias e pesquisas sobre ergonomia, conforto ambiental, novos materiais, novos equipamentos e eletrodomésticos, utensílios, as edificações passam por uma transformação radical, tanto na forma de construir como de ocupar e usar os ambientes”.
Cores decoração Maria Theresa, Uniworld, decoração sécu XIX

Com isso, a decoração passa a ser uma atividade cada vez mais técnica e com mais variáveis e já não é mais um fazer intuitivo, artístico, “mas passa a ser um processo que envolve um planejamento, um projeto e lançar mão de métodos, técnicas, conhecimentos científicos e ferramentas tecnológicas para se pensar no ambiente não apenas pelo viés estético, mas também com foco no usuário, pensando na funcionalidade, no conforto, na ergonomia, durabilidade, manutenção…”, continua Cezar. A decoração como historicamente conhecida passa a ser apenas uma das partes que compõem esse novo ofício.


Nomenclatura


Entre os anos 30 e 40, começaram os debates sobre a nomenclatura da profissão para abarcar de maneira mais ampla o que realmente era a profissão. O termo decorador de interiores foi dando espaço ao designer de interiores, uma vez que “design” significa projeto e inclui de maneira mais completa a complexidade da profissão. Em 1936, o American Institute of Decorators mudou de nome para American Institute of Interior Designers (AID) e com isso o termo "designer de interiores" foi ganhando o mundo e sedimentando a profissão.


“Isso tudo não significa que não exista mais o profissional decorador, mas a decoração é entendida como uma das partes que compõe o design de interiores, que por sua vez tem uma complexidade técnica ampla que envolve conhecimentos de iluminação, ergonomia, design de móveis, revestimentos, paisagismo, conforto térmico, acústico, instalações prediais, sistemas construtivos…”, conclui Cezar.

Em suma, enquanto a decoração é uma prática mais artística, estética, enquanto o design de interiores leva em consideração o planejamento e funcionalidade.

Crédito: Markus Spiske on Unsplash
Diferença entre as profissões na prática

Design de interiores

  • Curso: o aprendizado frequentemente envolve estudo de cores e tecidos, programas de simulação no computador (CAD), desenho, planejamento de espaço, design de móveis, arquitetura e mais.
  • O que faz o profissional: designers de interiores estão confortáveis em assumir a responsabilidade de planejar um espaço e podem ajudar a criar e renovar interiores -- de desenhar os móveis iniciais e pisos a decoração final. Eles focam não só na estética mas na funcionalidade do cômodo.
  • Com quem ele trabalha: frequentemente, designers de interiores trabalham junto ao arquiteto e construtor para ajudar o cliente a conseguir o visual e funcionalidade que ele deseja.

Decoração de interiores

  • Curso: focado principalmente em estética e não no planejamento estrutural do ambiente. O aprendizado frequentemente foca no estudo da história da arte e estilos artísticos, de tecido e cores, planejamento de espaço, estilos de móveis e mais.
  • O que faz o profissional: bons decoradores entram em um cômodo e sabem deixá-lo mais bonito com a estrutura que eles têm disponível. Para espaços novos, eles ajudam a decidir um estilo, esquema de cores, comprar móveis e acessórios.
  • Com quem ele trabalha: geralmente, não trabalha com arquitetos e construtores, já que eles não definem a parte estrutural do cômodo. Mas eles podem trabalhar com designers de móveis para decidir um estilo que o cliente quer.
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Que tal desenvolver seu próprio projeto de interiores do início ao fim? Em nosso curso online Profissão: Designer de Interiores, você vai aprender desde o conceito inicial de um projeto até a apresentação para o cliente, sempre evoluindo a cada módulo. Você também irá construir uma visão crítica do mercado, refinar seu olhar e colocar tudo isto em prática. Afinal, design é desenho e desenho é prática. Se você ama decoração, é arquiteto e ou já é designer de interiores, neste curso você irá desenvolver interiores não apenas com foco na beleza, mas também em funcionalidade.


Nossos professores: Bruno Simões, Ana Paula Barbosa, Matheus Marques e Vitor Penha


Bruno Simões, arquiteto, designer, curador e proprietário do Ateliê Bruno Simões, tem uma experiência ampla na econômia criativa brasileira. Atuando como arquiteto, designer, curador, crítico, educador e empresário nos últimos 13 anos, Bruno Simões construiu sua carreira com passagem pelo escritório franco-brasileiro Triptyque Architecture, como editor de conteúdo da revista Casa Vogue, do grupo Globo Condé Nast, e curador residente na Galeria Nicoli.


Ana Paula Barbosa, arquiteta e designer de interiores, ela possui em sua carreira mais de 10 anos de sucesso, atuando com nomes de peso da arquitetura nacionais e internacionais, como a Hueb Ferreira Arquitetos. Foi coordenadora da área de criação do FGMF, um dos mais premiados escritórios de arquitetura do país, e também do WeWork, uma das maiores empresas de coworking do mundo, onde foi responsável pela criação de espaços de trabalho criativos e acolhedores. Sua experiência na área inclui também o desenvolvimento e gerenciamento de projetos comerciais, residenciais e corporativos.


Matheus Marques é formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Paraná, possui mais de 14 anos de experiência e mais de 20 premiações por seus trabalhos como arquiteto. É sócio-fundador do Hiperstudio, um escritório de arquitetura que se dedica a projetos inovadores atrelados à responsabilidade cultural, econômica e ambiental. É reconhecido nacional e internacionalmente por seus projetos, em concursos de arquitetura e prêmios de sustentabilidade.


Vitor Penha é sócio e diretor de criação do Estúdio Penha, arquiteto e urbanista, formado pela Universidade Mackenzie, Vitor trabalha com luminotécnica há mais de 10 anos. É sócio e diretor de criação do Estúdio Penha, onde desenvolve o conceito do reuso e pesquisas nas áreas de percepção e luz. O Estúdio Penha já foi premiado em diversos concursos de arquitetura e decoração, como Prêmio Casa Claudia, WA Awards 24th cycle, Prêmio Deca e Architizer A+Awards- Special Mention in the Office. Entre seus projetos premiados estão os restaurantes Bráz Trattoria, Seen e Manioca, além do escritório da AKQA São Paulo.