O que é Design Thinking: principais etapas e ferramentas

Última atualização
02 out 2023
Tempo de leitura
9 min

Este é um guia básico para principiantes que desejam conhecer melhor o Design Thinking, abordagem famosa no mundo todo e que visa resolver problemas do dia a dia.

O design thinking é uma abordagem que tem ajudado inúmeras empresas a criarem de produtos a modelos de serviços revolucionários no mundo todo. Trata-se de uma forma de conduzir projetos colocando o ser humano no centro do processo, afinal seu principal objetivo é resolver problemas do cotidiano de um determinado público.

Para explicar melhor o que é essa abordagem, suas vantagens e como ela funciona, conversamos com Carolina Veraldi, UX Research Manager no PicPay e professora convidada no curso de Design Thinking da EBAC.

O que é Design Thinking

O design thinking foi desenvolvido por David Kelley – empresário, professor na universidade de Stanford e fundador da IDEO, e Tim Brown – atual CEO da IDEO, a fim de simplificar a solução de diversos tipos de “problemas” ou situações utilizando práticas colaborativas e criativas.

Reconhecido como uma abordagem, pois não possui uma fórmula exata a ser seguida, o modelo propõe usar elementos do design para pensar de forma criativa e criar soluções simples e funcionais, como pesquisas, brainstormings, quadro de ideias, protótipos e testes.

Por isso, apesar do termo design em seu nome, a abordagem é indicada para todos que buscam por soluções inovadoras para resolver situações que, muitas vezes, fazem parte do cotidiano do público-alvo, podendo ser desde um projeto de reposicionamento de marca até a criação de novos produtos ou ambientes que agradem mais ao público.

O design thinking deve ser trabalhado em grupos multidisciplinares, envolvendo profissionais de diferentes áreas e com diferentes especialidades. A união das diferentes experiências de cada um é muito útil para a construção de novos pensamentos, permitindo chegar a conclusões que uma única pessoa, ou grupo de pessoas parecidas, muitas vezes não conseguiria.

Normalmente os problemas a serem solucionados são identificados a partir da observação de um cenário envolvendo o público-alvo do projeto, fazendo com que o foco do projeto seja resolver, facilitar ou simplificar uma ação humana.

Como o exemplo da marca Natura e sua linha de produtos Sou. A marca desejava reduzir 30% dos custos de produção e 50% do impacto ambiental com as embalagens. Através do design thinking e observação do seu público, compreendeu que a melhor solução seria a produção de refil dos produtos.

Vantagens do Design Thinking

Um dos primeiros pontos a ser listado como vantagem do design thinking é o seu baixo custo e complexidade de implementação com capacidade de trazer retornos lucrativos. Além de não necessitar de alto investimento financeiro inicialmente, sua metodologia centrada no público-alvo tem uma tendência de apresentar resultados mais efetivos e favoráveis ao sucesso do projeto.

Destaca-se também a integração entre indivíduos de diferentes equipes através dos grupos multidisciplinares que a abordagem propõe. Essa combinação de áreas é uma ótima maneira de fortalecer relações, auxiliando no sentimento de pertencimento e valorização dos colaboradores dentro da empresa.

Também não podemos deixar de fora o fato de que o design thinking é extremamente eficiente em encontrar soluções criativas e eficientes para problemas e, além disso, entender qual realmente é o problema a ser resolvido utilizando a observação e empatia.

Etapas do Design Thinking

O design thinking costuma ser dividido em 5 etapas ao longo do desenvolvimento do projeto. Essas etapas costumam ser complementares, ou seja, o que se descobre em uma etapa é utilizado na etapa seguinte.

Empatia

Esta primeira etapa é uma das mais importantes para o design thinking e o que torna a abordagem mais “humana”, pois é nela que nos colocamos no lugar do público-alvo para compreender o problema.

Esse é o momento de conhecer mais a fundo o seu público, realizando observações e pesquisas aprofundadas. Dessa forma você poderá compreender quais os reais problemas o seu projeto poderá solucionar para esse público, quais serão os seus possíveis interesses e, ainda, quais os pontos que serão prioridade ao longo do projeto.

Os diferentes tipos de pesquisas nessa etapa podem envolver pesquisa de campo, tempo de observação em determinados ambientes, entrevistas on-line ou presenciais, pesquisas quantitativas ou qualitativas, ou o que for necessário para compreender o público.

Uma ferramenta muito útil nessa etapa é o mapa de empatia, que ajudará a traçar um perfil mais aprofundado sobre o público, levantando suas necessidades, dores e sentimentos. O mapa de empatia fornece essas informações através de 6 perguntas:

  • O que ele pensa e sente?
  • O que ele vê?
  • O que ele fala e faz?
  • O que ele ouve?
  • Quais são as suas dores?
  • Quais são as suas necessidades?

Encontrar essas respostas lhe ajudará a compreender mais profundamente o seu público e como o seu projeto poderá ajudá-lo.

Definição

Baseado no que se descobriu na etapa de empatia, é necessário definir os problemas a serem solucionados. Nessa etapa define-se o problema principal, que será o foco do projeto, e os problemas secundários, que também podem ser solucionados mas não são a prioridade.

Ideação

Após a definição dos problemas e a motivação por trás deles, chegamos ao momento de criar as soluções. Essa fase funciona como um grande brainstorming, no qual a equipe se reúne para pensar e descobrir juntos a melhor solução possível.

Nessa etapa destaca-se a importância de um projeto com times multidisciplinares, com históricos profissionais e pessoais que agregarão no processo de ter ideias criativas e inovadoras.

Prototipação

É nessa etapa que as principais ideias, com maior chance de sucesso, começam a ser concretizadas. Porém, é preciso ter em mente que os protótipos têm a finalidade de serem testados para verificar a eficácia de cada solução sem realizar grandes investimentos.

Os protótipos podem ser rascunhos, MVPs (Minimum Viable Product, ou Produto Mínimo Viável), versões beta, entre outros modelos que não incluem tantos detalhes nem sejam tão complexos, mas ainda assim apresentam o conceito idealizado.

Por exemplo, se você está desenvolvendo um novo aplicativo, nessa etapa teremos um wireframe (um tipo de “rascunho” das telas), ou até mesmo uma versão beta que seja possível navegar por alguns menus. Mas nessa etapa não seria necessário incluir funções de envio de formulários e coisas do tipo.

Testes

A fase de testes é crucial para a conclusão do projeto, pois é a partir dos testes que podemos enxergar o que precisa ser modificado ou melhorado e o que está de fato funcionando nos protótipos desenvolvidos.

Nessa fase o ideal é que os testes sejam feitos com indivíduos do público-alvo, para que os resultados caminhem para uma resposta mais precisa para o sucesso do projeto.

As etapas do Design Thinking na prática

Para ilustrar as etapas do design thinking, vamos imaginar uma marca de guitarras que deseja criar algo diferente dos instrumentos que já costuma criar. Aplicando a abordagem nesse caso, ficaria algo como:

  • Empatia – Pesquisas e entrevistas com guitarristas e pessoas envolvidas com música a fim de conhecer o público em profundidade, identificando dores e necessidades em comum.
  • Definição – Análise dos resultados da pesquisa e definição do problema a ser solucionado: a quantidade de cabos necessários para conectar as guitarras em amplificadores, mesas de sons, pedais e afins.
  • Ideação – Brainstorming definindo que uma das melhores soluções para o problema é o desenvolvimento de dispositivos wireless para conectar a guitarra, que seja pequeno, leve e que tenha um raio de alcance de 3 metros.
  • Prototipação – Criação de um primeiro modelo do dispositivo, que ainda passará por ajustes e refinamento de detalhes, mas que já está apto a ser testado pelo público.
  • Teste – Apresentação do dispositivo para alguns representantes do público-alvo a fim de testar a satisfação com a solução proposta. Após os testes, entramos em um novo ciclo do processo, passando novamente pela empatia e compreensão do que ainda pode ser melhorado em relação ao protótipo e toda a solução proposta.

Quais ferramentas podem ser usadas no processo de design thinking?

O processo de design thinking pode contar com o apoio de algumas ferramentas muito úteis que vão facilitar e contribuir com o desenvolvimento do projeto.

Brainstorm

O brainstorming é uma dinâmica de grupo na qual há um estímulo para que os participantes compartilhem ideias de todos os tipos. O principal ponto é não ter julgamentos iniciais de ideias boas ou ruins, a intenção é ter um grande volume de ideias diferentes.

A dinâmica deve contar com um responsável por conduzi-la, sendo que uma de suas primeiras tarefas é informar antecipadamente os participantes sobre o problema a ser solucionado, para que eles possam se aprofundar no tema e se preparar.

Mapas mentais

Outra ferramenta que auxilia no fluxo e organização de ideias. Ao “centro” desse mapa, colocamos um tema principal como destaque. Ao redor começamos a incluir ramificações com ideias secundárias, mas que estão conectadas ao tema central.

É muito importante utilizar elementos gráficos para executar essa ferramenta e poder visualizar de forma ampla o progresso deste mapa.

Cocriação com clientes

Envolver clientes no processo de criação de produtos tem sido uma prática muito comum no mercado. O cliente pode trazer percepções e idealizações sobre o seu negócio que, muitas vezes, pode ser diferente ou complementar a percepção dos integrantes do projeto.

O envolvimento do cliente no projeto pode ser através de pesquisas, entrevistas, feedbacks, testes ou outro modelo de comunicação que funcione bem para sua empresa e projeto. O importante é contar com alguma forma de participação dessas pessoas.

Essa interação possibilita enxergar direcionamentos que estão mais alinhados e de acordo com o que o cliente e seu público realmente desejam e precisam.

Como aplicar o Design Thinking?

O primeiro passo é entender se os profissionais se sentem confortáveis em colaborar com os grupos multidisciplinares, apresentando ideias diferentes e inovadoras e, principalmente, se a empresa está disposta a ouvi-las.

Se a resposta for positiva, comece coletando e analisando dados que darão o direcionamento para um novo projeto, dessa forma uma nova proposta de solução não será baseada em “achismos” mas sim em informações concretas.

Depois, comece formando a equipe multidisciplinar que fará parte do projeto e dê início às etapas de acordo com o que fizer mais sentido para sua empresa.

Página inicial / Design
Michele Lopes

O conteúdo

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