Design

Designer de Produtos Digitais: Planejando sua transição de carreira
A Product Design Manager e ex-engenheira Bruna Amancio conta sua trajetória e dá dicas para quem quer seguir esse caminho
Sabe aquele empurrãozinho que faltava para você correr atrás da sua guinada profissional? Bruna Amancio, Product Design Manager do QuintoAndar, conta os fatores que precisam ser mapeados quando se pensa em uma transição de carreira para a área de Produtos Digitais, com dicas para tornar esse processo mais leve e saudável.

O trajeto de Bruna
“Minha vida era uma loucura e eu já namorava a área de Design Thinking antes mesmo de procurar um curso”, conta. Na época, ela era engenheira especialista em radiofrequência e gestão de projetos da copa do mundo. Hoje, tem uma carreira consolidada como especialista em Produtos Digitais, mas o início não foi fácil.
Em 2014, Bruna trabalhava para a empresa Nextel e gostava, sim, de seu emprego. “Eu não me via infeliz no que eu fazia mas eu me interessava muito por essa metodologia de Design Thinking, que na época era super novo.”
Com o fim da Copa do Mundo de 2014, com as coisas mais calmas no trabalho, ela decidiu fazer um curso na área. “Com as aulas, eu vi que dava pra fazer as coisas de outro jeito. Eu cheguei para meu gestor e contei como aquilo abriu meus olhos e disse que queria colocar aqueles conhecimentos adquiridos em prática, perguntei como eu poderia fazer isso ali na empresa, ajudar.”

Apesar do gestor de Bruna ter sido bastante aberto, apoiando a decisão, ele falou que não teria como tirar ela de sua função atual e perguntou se tudo bem para ela acumular funções, fazendo as duas coisas ao mesmo tempo. Ela topou. 
Foi assim que começou sua transição de carreira. “Eu não sabia que eu estava fazendo uma transição. Não estava consciente disso. Na minha cabeça, eu apenas estava colocando em prática o que eu aprendi no curso.”

Mas ela gostou tanto que decidiu se dedicar em tempo integral. Para isso, Bruna pediu demissão, em 2015. “Eu planejei, baseada na minha situação financeira, que daria pra eu ficar 2 meses ‘parada’, procurando. Mas não foi assim que aconteceu.”
(Crédito: Freepik)
Passado esse tempo sem ter encontrado um emprego fixo, ela começou a fazer “freelas” para ter renda para pagar as contas até que, em 2016, conseguiu um emprego temporário, de 6 meses, no banco Itaú.
“Após esse período, eles me contrataram para uma posição fixa mas em outra área. Em Service Design. Só em 2017 eu comecei a ser chamada para consultorias independentes e comecei a trabalhar com o Design Thinking mesmo”, conta.

“Eu acho importante contar essa história porque, nos dias atuais, com tanta gente mudando de área, pressupõe-se que é algo fácil, simples, que é só fazer um curso. Mas apesar de ter exceções em que a transição é rápida, acho bom considerar que é provável que essa transição leve mais tempo do que você planejou na sua cabeça.”

Hoje, com uma posição sênior como Product Design Manager no QuintoAndar, Bruna dá as dicas para quem pensa em migrar para essa área de Designer de Produtos Digitais.

Qual sua motivação para migrar?
Não tem resposta certa ou errada mas é preciso ter essa resposta clara na sua cabeça, segundo Bruna. “Muitas pessoas querem mudar mas não pararam pra fazer essa reflexão. Se o seu motivo for abstrato, como ‘porque não gosto do que faço’, pergunte-se por que você não gosta. Tente achar uma resposta objetiva e profunda, senão, às vezes você migra e encontra o mesmo problema.”
Antes da transição, lembre-se:
  1. Como em qualquer área, você também terá que fazer coisa não gosta no dia a dia
  2. Você está dando um passo para trás para dar 2 pra frente. “Você está chegando em um lugar que é fresco e todos são maduros, então você está dando, sim, um passo pra trás”. Tenha humildade e não espere entrar no mesmo nível que você tinha antes.
  3. Você não está desistindo, só está arriscando e parabéns pela coragem. “Muita gente se sente perdedor por estar começando algo mais tarde. Pelo contrário, você está sendo muito corajoso.”
  4. Armadilha da autonomia: não caia nessa. “O Product Designer pode até ter mais autonomia que outras áreas mas não leve isso como verdade porque isso vai depender muito da empresa.”
“O importante é saber que não existe caminho certo. Não tem uma receita de bolo que deu certo para uma pessoa e vai dar para você também. Faça o que for mais confortável para você”, finaliza Bruna.
Como migrar?
Bruna separou 3 cenários possíveis de como fazer essa transição:

#01 Migrar de área dentro da própria empresa
Foi o que ela fez. Nesse caminho, você mantém o histórico de conhecimento que você tem na empresa para aprender uma função nova, então você tem uma vantagem e pode não precisar dar passos para trás.

#02 Trabalhar em paralelo até encontrar uma oportunidade de migrar
Hoje com o trabalho remoto, se você for responsável e conseguir equilibrar os pratos fica mais fácil levar as coisas no paralelo. Se não é seu caso, ofereça para amigos e conhecidos trabalhar de graça e faça os projetos no seu tempo livre. Isso vai te dar experiência na área.

#03 Largar tudo e focar no novo
É uma decisão ousada mas vai permitir que você foque integralmente no seu novo objetivo. Em contrapartida, você precisa estar preparado para “pagar o preço”, porque é muito provável que seu salário sofra um corte, já que você é iniciante na nova carreira.
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Nossos professores: Cassio Prates, Flavia Kawazoe, Makson Serpa e Thiago Barcelos


Cassio Prates


Há 9 anos atuando com soluções digitais, com passagens por agências de publicidade e, nos últimos anos, com foco total no desenvolvimento de serviços e games. No WildLife Studios, um dos maiores estúdios de games da América Latina e a única Startup Unicórnio no Brasil, trabalhou criando interfaces e funcionalidades para hits no mundo dos jogos, para mobile, com mais de 1 bilhão de downloads, como Colorfy, Castle Crush, Bike Racer, War Heroes e Sniper 3D. Atualmente trabalha com educação e tecnologia na Geekie como Designer de Produto Sênior.



Flávia Kawazoe


Especialista em Estratégia de Marketing pela ESPM e pós-graduada em Arquitetura da Informação e UX, possui certificação em UX e Interaction Design, pela Nilsen Norman Group, e Design Thinking Coach, pela IBM. Flavia possui mais de 10 anos de experiência na multinacional IBM, onde atuou como Global Product Design Lead, e hoje é UX Design Specialist no laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento da Samsung.


Makson Serpa


Pós- graduado em UX Design, passou os últimos oito anos atuando no mercado digital com projetos na web, plataformas digitais e aplicativos. Hoje atua como Designer de Produto na Wingocard, uma fintech que está sendo construída do zero em Montréal no Canadá. Makson já trabalhou em grandes empresas como a Movile, onde atuava com a marca PlayKids, e se juntou ao Pipefy, hoje um case de sucesso global, quando a empresa tinha apenas 17 pessoas. Também passou pela Hopper, uma das 50 empresas mais inovadoras do mundo no segmento de viagem.


Thiago Barcelos


Atua como especialista em Design de Produto na SumUp, reconhecida fintech multinacional, projetando produtos financeiros e capacitando pequenos comerciantes a impulsionar seus negócios por meio de design e tecnologia em todo o mundo. Possui mais de 10 anos de atuação no mercado, já desenvolveu experiências digitais para clientes como Grupo Abril, Oi, IBM, Citibank, Grupo Movile, Zingfit, Maplink e Truckpad.