Design

Que tipo de fotógrafo você quer ser?
Um detalhe pode mudar o significado, contar outra história ou mostrar um novo ponto de vista
Rush Hour de Ernst Haas, Nova York, 1980
“A câmera não faz diferença nenhuma. Todas elas gravam o que você está vendo. Mas você precisa ver”. Intenso, não é? A frase é atribuída ao fotógrafo austríaco Ernst Haas, que se tornou conhecido no século passado por suas inovações com a fotografia colorida. O tempo passou, mas a máxima continua atual, seja qual segmento de atuação, a foto precisa de um olhar apurado, treinado e sensível para captar a sombra, a luz e a composição de uma imagem, entre outros parâmetros. Um detalhe pode mudar o significado, contar outra história ou mostrar um novo ponto de vista.

E, como você deve imaginar, são inúmeras as possibilidades de atuação. Nós separamos algumas para você se inspirar.
London Fashion Week, 2020 - Crédito: Elena Rostunova/Shutterstock
Street Style
Se na década de 1990 as imagens de passarela eram icônicas, já que apenas as modelos, os estilistas e a alta sociedade eram parte do mundinho da moda, nos anos 2000 a coisa muda de figura. Os blogs de moda se tornaram famosos e lançaram seus autores, muitos anônimos, à primeira fila dos desfiles. E o caminho do hotel até o local do evento fashion também passou a ser protagonista, com essas novas celebridades vestindo looks tão interessantes quanto aqueles das passarelas.
Assim, os fotógrafos passaram a se especializar em street style, comercializando as imagens com marcas de moda, revistas e com as próprias criadoras de conteúdo. Durante as Fashion Weeks internacionais, por exemplo, é comum ver dezenas de fotógrafos exprimidos na rua em busca de cliques glamorosos – e por isso descobrir um olhar diferencial é a chave para se destacar na área.
Fotografia gastronômica
Já ouviu aquela expressão “comer com os olhos”? É exatamente esse o poder que uma boa foto gastronômica precisa causar; tornar pratos desejáveis. E mesmo com a melhor apresentação estruturada pelo food stylist, é preciso a aparência de alimentos e bebidas, engana-se quem acha que é tarefa fácil. Por exemplo, para bebidas, é necessário montar um esquema de iluminação com dois flashes; um contra para iluminar o líquido e outro flash de frente para dar um brilho lateral em degradê na garrafa. Além de saber esses truques, o fotógrafo gastronômico deve saber como fazer retoques digitais usando o Adobe Lightroom e o Adobe Photoshop.

A parceria com um bom food stylist ajuda a pós produção, mas ainda pode ser necessário ter que recriar uma fina camada de gelo e gotículas na garrafa de cerveja; ou ainda fundir a espuma perfeita no copo. Alguns fotógrafos gastronômicos se tornam aptos a também fazer o food styling, oferecendo um ‘combo’ para os clientes que vão de agências publicitárias e conteúdo para redes sociais, produtoras de filmes, editoriais de revistas e material de publicidade de restaurantes.

(Crédito: Repodução David Griffen/Instagram e Instagram/Andrew Scrivani)
Fotografia para arquitetura
Em "Architecture Depends,” (Arquitetura Depende, ainda sem versão em português, Jeremy Till afirma no capítulo "Out of Time" que, "a fotografia permite que esqueçamos o que veio antes (todo o sofrimento do trabalho prolongado para cumprir com a entrega de um edifício completamente erguido) e as intempéries do tempo, sujeira, usuários, reformas, que virão depois. Ela congela o tempo.
A fotografia de arquitetura pode ser aplicada para fins informativos, comerciais, com o objetivo de registrar o visual de construções e ambientes internos, e até mesmo artísticos.

Esse tipo de fotografia não se resume a espaços internos ou edifícios, em si, mas também gravar o contexto espacial ao redor deles e seus detalhes. É preciso pesquisar sobre a história e contexto de um edifício ou espaço antes da visita é indispensável. Isso irá ajudá-lo construir sua fotografia mentalmente; ajudará a criar uma história ou ideia principal que capture a essência do edifício.
Man Ray, "Magnolia" (1926). (Reprodução/SP Arte)
Still life
É um gênero de fotografia usado para a representação de objetos inanimados. Em tradução livre, still life é “natureza morta” e foi retratada ao longo da história de muitas formas, desde os afrescos decorativos da antiguidade à arte erudita da Renascença. Tradicionalmente, uma natureza morta é uma coleção de objetos inanimados organizados como o tema de uma composição. Hoje, uma natureza morta pode ser qualquer coisa, seus produtos de beleza ou acessórios de moda no Instagram. Tornar objetos inanimados atraentes para compra, em ângulos que valorizam o produto, o design da embalagem, não é tarefa das mais fáceis. A fotografia still é um ótimo treinamento para novos fotógrafos: dá a chance de experimentar luz, materiais, texturas e objetos em um ambiente controlado.

E o que torna uma fotografia still perfeita? Isso é um pouco mais difícil de classificar. Tudo se resume à intenção e ao contexto. É preciso ter claro qual é a mensagem a ser transmitida; a composição deve ser interessante e guiar o olhar do espectador através da imagem. Às vezes, mesmo com objetos é possível criar narrativas.
Um importante nome da fotografia, que usou objetos inanimados para se expressar artisticamente é Man Ray. “Foi conquista de Man Ray tratar a câmera como ele tratava o pincel, um mero instrumento a serviço da mente”. A frase dita por Marcel Duchamp, artista dadaísta e da arte conceitual. Abaixo, alguma de suas obras fotográficas nesse gênero: "Untitled (Mannequin with Cone and Sphere)", de 1926, e "Main Ray", de 1935.
Mano Brown, revista Elle, em março/2021, por Bob Wolfenson (crédito: reprodução/Instagram)
Retratista
Criar memórias ou construir narrativas, clicar retratos é uma maneira poética de gravar pessoas. Além de noções de iluminação, cor e tratamento de imagem, poses e ângulos que funcionam para diversos biotipos é essencial. Retratistas atuam tanto em produções editoriais, de moda e de publicidade.

No Brasil, temos nomes de peso, como Bob Wolfenson, que iniciou a carreira aos 16 anos, trabalhando com influentes fotógrafos da época, como Francisco Albuquerque, Tripolli e Antonio Guerreiro, além de passar uma temporada em Nova York como assistente do fotógrafo Bill King. Detalhista e atencioso, ele transita entre os mais diversos estilos e já retratou Sônia Braga, Taís Araújo, Mano Brown, entre outros. Jorge Bispo é filho de uma família de atores e começou fotografando os bastidores do teatro. Formado em Artes Plásticas pela UFRJ, Bispo é dono de um olhar único que vai do mais simples ao mais sofisticado. Já retratou uma série de celebridades, como David Lynch, Spike Lee, Willem Dafoe, Otto, Chico Buarque, entre muitos outros.
Fotografia social (eventos)
Esse é um campo amplo e muito democrático, que abrange serviços de cobertura de eventos e produção de ensaios, geralmente celebrando uma etapa especial da vida dos fotografados. Uma das principais habilidades desse profissional é a sensibilidade para ser capaz de captar momentos únicos, traduzindo em imagens o clima e a emoção de um evento sempre especial. São essas fotos que registram a história e as lembranças familiares. 

Além das técnicas fotográficas, esse campo pede que o profissional desenvolva outras habilidades, tais como uma boa comunicação: é preciso falar com clareza e ouvir com atenção para alinhar vontades e expectativas do cliente; flexibilidade e bom relacionamento interpessoal, pois há tímidos e os mais seguros de si, portanto ter desenvoltura para se relacionar com os diferentes públicos é fundamental.
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