Digital influencer: como é a criação de conteúdo

O mercado de influência cresceu 43% entre 2020 e 2021, sendo estimado em 13.8 bilhões de dólares, de acordo com Statista. E esse crescimento deve continuar acelerado com 40% dos brasileiros afirmando que já compraram algo por causa de um influencer, segundo o mesmo estudo da Statista.

Os digital influencers são formadores de opinião, capazes de influenciar multidões de seguidores fiéis em suas redes sociais. Eles criam tendências e, assim, motivam a decisão de compra e comportamento de seus seguidores.

Considerando que a quantidade de pessoas nas redes sociais só aumenta – está aí o sucesso do TikTok entre uma nova geração para provar–, isso abre caminho para novos influenciadores.

Para falar sobre essa carreira, conversamos com dois profissionais da área: Luanda Vieira e Lucas Zavadil. Luanda é jornalista, ex-editora da revista Vogue e já tinha uma presença digital considerável, mas só este ano se tornou digital influencer full time. Lucas Zavadil é produtor de conteúdo do canal de games Nautilus. Com 219 mil inscritos no Youtube, o que começou como um hobby para falar sobre jogos e os lançamentos da indústria, se tornou profissão.

É preciso ter conteúdo especializado para se tornar um influencer

Crédito: Reprodução/@luandavieira

No começo da profissão, era comum que as pessoas falassem de assuntos genéricos, fizessem reviews de produtos e mostrassem aos seguidores seu estilo de vida. Mas isso se tornou um modelo de influência antigo. O grande diferencial atualmente é produzir um conteúdo especializado, com temas definidos e embasados.

As pessoas buscam ser influenciadas por quem tem algo a dizer, que têm pontos de vista próprios, que compartilham ideias, conceitos e fazem recomendações de maneira natural.

Um conteúdo especializado, abordado com profundidade e qualidade, faz com que as pessoas voltem ao perfil e engajem no conteúdo, assistam seus vídeos, comentem, façam perguntas, respondam aos stories ou comentem no feed, compartilhem o post para amigos, construindo confiança no influenciador digital. A influência sobre seus seguidores vem por isso.

Pense nos temas que você tem paixão e domina. Quanto mais importante o assunto for para você, mais autêntico será seu conteúdo.

Luanda consolidou sua carreira como jornalista de moda, em grandes veículos de imprensa. Ser respeitada nessa área a ajudou a se estabelecer como uma influenciadora com seguidores engajados, que confiam no conteúdo de suas postagens. E essa boa reputação e credibilidade também fazem com que as marcas desse segmento a procurem para realizar conteúdos publicitários, pois querem ter o nome associado a uma imagem respeitada pelo público.

Crédito: Reprodução/@luandavieira

A melhor rede social para apostar é uma decisão estratégica

O Brasil tem cerca de 99 milhões de usuários ativos no Instagram, que gastam cerca de 3 horas e 30 minutos todos os dias em plataformas sociais. A taxa de engajamento do Instagram é 4 vezes maior do que a taxa de engajamento do Facebook, de acordo com um levantamento do MLabs. Ou seja, o brasileiro adora o Instagram e apostar nessa rede social pode ser uma boa estratégia para novos influenciadores. Mas também é fato que o TikTok não para de crescer e atrair jovens usuários.

Os números dão um norte sobre o comportamento dos internautas, mas há outros critérios que devem ser considerados para a escolha de qual rede social começar seu perfil profissional: o tipo de conteúdo e audiência do público alvo.

Nautilus fala sobre games e seu público alvo está em peso no Youtube, na Twitch e no Discord. Ainda assim há pessoas que curtem jogos e também usam Twitter e Instagram. Por isso, eles também desdobram seus conteúdos nestas redes sociais. Lucas comenta que essa é a plataforma mais recente do canal e, no momento, estão se adaptando à linguagem própria da plataforma e tentando aumentar o alcance e a quantidade de seguidores. Estar presente em mais redes sociais é a estratégia que adotaram para aumentar o público e tornar o grupo ainda mais conhecido.

É preciso ser consistente com as publicações

Por consistência, entenda que se trata da frequência de conteúdos publicados semanalmente. Isso vale para qualquer rede social, sejam stories ou fotos no feed do Instagram, vídeo, etc. Porém, não existe uma receita de bolo que determine qual a quantidade de posts ou os dias da semana que farão seu conteúdo ter mais sucesso, acompanhando os dados ou estatísticas que cada rede social informa.

Nautilus e Luanda testam diversos formatos, avaliam os números de interações (curtidas, respostas, reações com emojis, etc) que a própria rede social disponibiliza nos perfis comerciais. Por vezes, perguntam diretamente qual conteúdo mais agrada seus seguidores e então passam a investir mais nestes. A famosa fórmula “tentativa e erro”.

Para Luanda, o prioritário é ter pelo menos um post por dia no feed do Instagram. Ela acredita que isso ajuda a gerar interesse para quem ainda não a segue, mas vê seu perfil com frequência. Esse post fixo na timeline pode ser uma publi, fotos do dia a dia, frases sobre assuntos que estão em alta nas áreas que atua (moda, beleza, bem-estar, diversidade), além da indicação de perfis de outras mulheres negras que também atuam nesses segmentos.

Crédito: Reprodução/@luandavieira

Esse planejamento é criado com base no feedback de seus seguidores e nos dados de audiência do seu perfil do Instagram.

A estratégia de Luanda é baseada na experimentação dos possíveis formatos que dão vazão à sua criatividade. Diferentemente de uma marca ou empresa que usa as redes como estratégia de comunicação que se move, prioritariamente, por números de dados de audiência.

Você pode fazer tudo sozinho, mas ter um time facilita

Equipe Nautilus (Crédito: Reprodução/@lucaszavadil

Criação de conteúdo é produzir vídeo, texto, fotos, áudios e qualquer combinação de formato que ofereça informação ou entretenimento ao público. E é possível fazer isso sozinho, no entanto com apoio de mais gente, torna-se mais fácil.

Nautilus é um time, formado por Lucas, Ricardo Regis e Bruno Tessaro. Conforme o canal foi crescendo, as demandas e tarefas foram aumentando. Os três então se dividem e se alternam nas atividades, como roteirizar e editar vídeos, criar pautas para o podcast, gravar o podcast, apresentar lives, planejar e escrever o texto para as postagens do Instagram. Checar e responder e-mails, além da parte financeira. Se em uma semana Lucas roteiriza e edita o podcast, na outra quem assume essa responsabilidade pode ser Ricardo ou Bruno. Assim, nada fica centralizado em uma só pessoa.

Luanda tem o apoio de uma agência de gerenciamento de carreira que a ajuda com a parte comercial, assessoria de imprensa e planejamento a longo prazo. No entanto, ela faz sozinha a produção de fotos e vídeos para marcas: testa a iluminação de fotos e vídeos e fotografa, escreve os roteiros dos vídeos e lives, faz a própria maquiagem, seleciona o que vai vestir, escreve e publica as postagens, além dos textos para sua newsletter.

O lado bom e ruim da profissão

Toda profissão tem aspectos bons e ruins, o que também depende do ponto de vista pessoal. Luanda e Lucas destacam os seguintes aspectos a serem considerados por quem quer investir nessa carreira:

Flexibilidade de horário

Ser dono da própria agenda e dividir o tempo de uma forma que seja melhor para o seu corpo, entre descansar, produzir ou se exercitar, são os benefícios apontados por Luanda. A flexibilidade permite se dedicar a diferentes projetos e separar momentos específicos para o lazer e estudos.

Unir paixão e trabalho

Lucas adora jogar games e trabalhar justamente com isso é um sonho que virou realidade. Ou seja, o famoso dream job existe!

Liberdade criativa

Crédito: Reprodução/@luandavieira

É possível criar de forma espontânea e de acordo com a própria vontade. O digital influencer tem autonomia para publicar o que quiser, produzir conteúdos com abordagens próprias para promover produtos e marcas.

Peso da responsabilidade

Ser influente e ter muitos seguidores vem acompanhado de muita responsabilidade. É preciso ter cuidado para não encabeçar polêmicas e administrar temas sensíveis a fim de não prejudicar a reputação.

A cobrança dos seguidores

A exposição faz com eles se sintam próximos a ponto de criarem uma liberdade que não existe. Pressionam o influenciador a se posicionar ou emitir opiniões mesmo se estiver fragilizado ou passando por uma situação pessoal difícil.

Rotina intensa e conectada à internet sem descanso

Muitas pessoas usam a internet também como ferramenta de diversão, portanto pode acabar ficando online muitas horas por dia.

Atividades maçantes

Há o lado entediante também, apesar de toda flexibilidade e criatividade. Para Lucas isso acontece quando precisa editar o podcast, que leva algum tempo fazendo, e precisa ouvir os áudios repetidas vezes até ter certeza que tudo está perfeito. Além disso, organização financeira pode ser chato para alguns, pois é preciso manter as despesas e pagamentos a terceiros sob controle rígido, o que envolve muita responsabilidade, de acordo com Lucas.

Embarque nessa carreira com a ajuda da EBAC!

A popularização da internet criou muitas carreiras e a de digital influencer é uma das mais promissoras. Mas ela exige muito trabalho e visão estratégica para se destacar em meio aos concorrentes, mirando no público alvo certo e produzindo conteúdo de qualidade. No curso online de Digital Influencer da EBAC, você irá desenvolver habilidades para profissionalizar seu perfil nas redes sociais, além de aprender a produzir conteúdos envolventes, criar estratégias para ampliar seu público e fazer dinheiro na internet.