Design

Entrevista: o processo criativo do design gráfico na visão de Leopoldo Leal

Leopoldo Leal é professor do bacharelado britânico na EBAC desde 2016. Designer gráfico com mais de 20 anos de experiência, atualmente ele também é coordenador no estúdio Pharus Bright Design. Em sua tese de doutorado pela USP recém-lançada em livro pela Editora Senac, Leopoldo explora o caos do processo criativo no design gráfico e o descreve como um verdadeiro pandemônio. Leia na íntegra.
Leopoldo Leal é professor do bacharelado britânico na EBAC desde 2016. Designer gráfico com mais de 20 anos de experiência, atualmente ele também é coordenador no estúdio Pharus Bright Design.

Em sua tese de doutorado pela USP recém-lançada em livro pela Editora Senac, Leopoldo explora o caos do processo criativo no design gráfico e o descreve como um verdadeiro pandemônio. Para o professor Leopoldo, esse tal pandemônio “é uma metáfora que pode ser utilizada para descrever o processo criativo do designer gráfico, cuja mente funciona como um caldeirão fervilhante de informações interligadas em uma rede complexa”. Ainda segundo sua tese, não há fórmulas ou receitas na hora de criar um projeto.

No processo de desenvolvimento criativo, é necessário colocar a experimentação como um elemento fundamental e estimular a criatividade através da prática no dia a dia e, também, apreciar os efeitos do acaso no resultado de um projeto. Para melhor entender sua tese, entrevistamos Leopoldo Leal e compartilhamos algumas imagens de seus projetos experimentais. Confira na íntegra.
Conte um pouco sobre o início de sua carreira e como decidiu ser designer gráfico.


Eu sempre gostei de desenhar desde criança. A minha grande escola foi o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo lá eu aprendi a pensar o desenho como projeto. Quase estudei arquitetura, mas descobri o design no meio do caminho. Meu primeiro emprego aos 18 anos foi como desenhista têxtil numa tecelagem Jacquard, anos depois na metade da faculdade e com um portfólio mais robusto comecei a trabalhar em um estúdio de design desenvolvendo materiais institucionais e identidades corporativas.

A sua tese de doutorado e agora livro aborda o processo criativo em oito fases definidas por Keith Swayer. Quais são as mais cruciais na sua opinião?

É difícil pontuar somente um momento no processo criativo, pois ele não acontece de maneira ordenada ou linear. Alguns autores pontuam que a primeira etapa de um projeto é a problematização (briefing), dependendo da natureza do projeto essa etapa poderá ser muito importante, pois será a etapa inicial no caso de um projeto demandado por um cliente, porque é nesse momento que o cliente apresenta o que ele necessita, e o designer fará uma série de perguntas para entender se esse é realmente o problema do cliente, porém a etapa do problema não é necessariamente a primeira etapa do processo criativo em design, em um projeto experimental pode ser iniciado em qualquer etapa antes mesmo da formulação do problema.
No seu livro, você afirma que o processo criativo é algo pessoal. Como é seu processo individual de criação de projeto? 

Não existe uma fórmula mágica no processo criativo. Cada pessoa possui um modo de projetar eu normalmente inicio o meu processo sempre desenhando algumas ideias, depois de jogar essas primeiras ideias eu inicio uma pesquisa bem profunda, depois retorno aos desenhos iniciais com um novo olhar e muitas vezes aquelas ideias iniciais eu identifico como ideias comuns. Geralmente a primeira ideia é a mais ordinária.


Interessante a associação de serendipidade com o processo criativo. Porém, como encarar uma possível frustração dentro do processo criativo quando um projeto sai diferente do pensado inicialmente? 


Normalmente a ideia na cabeça quando vai para o papel muda consideravelmente, isso é normal e faz parte do processo. Quanto a frustração faz parte do aprendizado. Eu já fiz centenas de projetos que foram rejeitados, mas todos esses projetos em que trabalhei foram importantes para o meu aprendizado e experiência. Se eu não produzo algo porque penso na frustração que sofrerei, acabarei não produzindo nada. 


Qual é a sua dica para quem está começando na carreira como designer gráfico? 


Não existem fórmulas mágicas ou atalhos. Muito do conhecimento em design gráfico vem do fazer. Suje a mão e experimente materiais. Leia muito e vá a exposições. 
Você também quer participar do processo criativo como designer gráfico?

O Design está em tudo ao nosso redor: aplicativos, embalagens, logotipos, capas de livros e revistas, aquela estampa divertida numa camiseta. Não faltam exemplos!

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