Programação & Data Science
O futuro do trabalho remoto e a imigração para profissionais no pós-pandemia
Desde o início da pandemia da covid-19, o trabalho remoto é uma realidade para muitos colaboradores e gestores. Obviamente, esta já era uma tendência que se colocava como um desafio para gerentes de equipes que não tinham certeza dos resultados da flexibilização do local de trabalho.
 
Daí, veio o novo coronavírus. As medidas de restrições espalharam-se por todos os continentes, não era mais recomendável pegar um avião para eventos ou congressos, tampouco era seguro ir até a esquina de casa sem correr o risco de se contaminar com uma doença totalmente desconhecida. As organizações tiveram que se reinventar. Como resultado, empreendedores migraram seus serviços para o online e empresas resolveram recrutar profissionais remotos para posições que antes exigiam presença física no escritório.
 
No entanto, com o cenário caótico da pandemia arrefecendo nos EUA e Europa seguido do sucesso da vacinação em massa em vários países, o trabalho remoto está sendo questionado por algumas grandes corporações.
"Se você pode ir a um restaurante em Nova York, pode entrar no escritório. E queremos você no escritório", disse James Gorman, CEO da Morgan Stanley. Wall Street aparentemente não gostou muito a ideia de um regime de trabalho flexível permanente.
Na última semana, James Gorman, líder de uma das maiores empresas de investimentos de Wall Street, a Morgan Stanley (MS), disse durante um evento que é hora dos funcionários de seu banco em Nova York voltarem ao escritório, agora que mais pessoas estão sendo vacinadas contra a Covid-19 e a vida cotidiana está lentamente voltando ao normal.
 
Sua polêmica declaração causou rebuliço. "Se você pode ir a um restaurante em Nova York, pode entrar no escritório. E queremos você no escritório", disse Gorman. E ele não está sozinho. David Solomon, CEO da Goldman Sachs, chamou o trabalho remoto de "aberração" e criou mais confusão ao exigir que seus funcionários relatassem seu status de vacinação à empresa.
 
Entretanto, declarações destes chefes de Wall Street parecem ainda ser exceção. Outras empresas multinacionais estão adotando um modelo híbrido ou flexível. Aqui no Brasil, por exemplo, segundo uma matéria publicada pelo UOL, empresas como BMG, Roche e Nestlé aderiram ao home office na pandemia e devem continuar seguindo o modelo mesmo após seu fim, imprevisível dizer quando.
Segundo um estudo divulgado pelo FIA Employee Experience (FEEx), 90% das empresas aderiram a alguma modalidade de home office. Para realizar a pesquisa, o FEEx utilizou dados coletados no segundo semestre de 2020, a partir de questionários respondidos por 213 organizações em território nacional.

Numa perspectiva global, o mercado de trabalho global se transformará nos próximos anos. Segundo especialistas, a imigração econômica aumentará graças aos investimentos e incentivos à recuperação fiscal colocados em prática nas economias mais importantes do planeta.
Você trabalharia no exterior se tivesse a oportunidade ?
Já contabilizamos o seu voto. Obrigado por participar!
Para melhor compreender este momento de transição do mercado de trabalho, principalmente no setor de tecnologia, conversamos com Samuel Guimarães, desenvolvedor web que vive e trabalha em Berlim, na Alemanha, há dois anos.

Neste bate-papo, Samuel fala conosco sobre sua trajetória profissional, como conquistou uma oportunidade profissional na área de tecnologia na Europa e compartilha sua opinião sobre o futuro do trabalho remoto, além de oferecer dicas valiosas para quem deseja construir uma carreira no exterior. Leia a seguir:
"Um dos fatores que pesou em minha decisão foi também o mercado, particularmente em Berlim. Seria o mais próximo de uma experiência do Vale do Silício, sem a dificuldade do processo de visto dos Estados Unidos, por exemplo".
Conte para a gente um pouco sobre sua formação e trajetória profissional.

Sou formado em bacharelado em Sistemas e TI pela FATEC e fiz colégio técnico em Web Design. Trabalhei com desenvolvimento web desde os 16 anos começando como aprendiz, mas tive uma pausa dos 18 aos 19 para estudar para faculdade, que não era minha primeira opção, cheguei a fazer três semestres de Arquitetura e Urbanismo. Participei de um processo seletivo para uma multinacional de TI e acabei voltando para essa área, ainda que não fosse exatamente com programação ou desenvolvimento web. De lá para cá trabalhei para uma fintech, um instituto de pesquisas, consultorias e o último emprego no Brasil foi uma grande corretora de investimentos.
 
Como surgiu a oportunidade de trabalhar na Alemanha?
 
Pelo fato dos meus primeiros projetos e times serem sempre de clientes internacionais, eu sempre tive o objetivo de buscar uma experiência internacional de verdade. Inicialmente meu plano era o Canadá, e isso no ano de 2014. Pesquisei sobre o processo de visto, a cultura e quais locais eu me encaixaria pelas minhas ambições pessoais e para isso precisaria aprender o francês e ter mais experiência profissional no Brasil para conseguir uma oferta que cobrisse o custo de vida e potencialmente ficar por lá e criar um patrimônio. Com o tempo fui amadurecendo esta ideia e vi que exceto duas ou três regiões, o Canadá não era para mim. Mas até então vários colegas desta primeira multinacional que trabalhei estavam vivendo cada um em um canto diferente do mundo e foi bom ter uma ideia da realidade de cada região vindo de pessoas mais ou menos da mesma área e que me conheciam bem para dizer se eu me encaixaria neste lugar ou não. Antes de decidir pela Alemanha, já tinha pelo menos 5 colegas que trabalhavam na mesma empresa vivendo aqui. Um dos fatores que pesou em minha decisão foi também o mercado, particularmente em Berlim. Seria o mais próximo de uma experiência do Vale do Silício, sem a dificuldade do processo de visto dos Estados Unidos, por exemplo.
 
Por eu ter bacharelado e tempo de experiência profissional, obter o visto (ou ser recusado) seria muito mais simplificado que o sistema de pontos do Canadá, a loteria dos Estados Unidos ou o “patrocínio” do Reino Unido, pois seria elegível ao visto Blue Card da União Europeia. E mesmo sem bacharel, ainda assim é mais simplificado, mas seria o processo de Work Permit (autorização de trabalho).
 
Uma vez vendo que sim, obter um emprego fora do Brasil era um sonho que poderia ser concretizado na Alemanha, pesquisei quais eram as grandes empresas, quais as startups ou “unicórnios”, o custo de vida, imposto de renda (muito importante), cultura, idioma, salários, tecnologias que precisavam de mais profissionais, e ao mesmo tempo preparava toda a documentação necessária para o visto, a ponto de que o único documento faltando era um contrato de trabalho.
 
Aos poucos aplicava para vagas em grandes empresas, mas também recebia convites de recrutadores no LinkedIn e eventualmente passei em uma entrevista (depois de várias).

Sempre foi seu objetivo atuar em desenvolvimento web?
 
Eu tive muita sorte por ter acesso a computadores e internet quando adolescente, então desde cedo já sabia que tinha alguma habilidade nessa área, mas ao mesmo tempo no começo “web” estava mais próximo de “design” do que programação e não me considero uma pessoa criativa neste aspecto. Antes das redes sociais, smartphones e “nuvem” grande parte do trabalho era feito em agências de publicidade. Havia programação, mas também exigiam conhecimento em edição de imagens, animação e design gráfico e apesar de dominar as ferramentas, para mim era mais um hobby do que algo que eu gostaria de fazer profissionalmente. Por coincidência acabei trabalhando até em projetos de 3D e maquete eletrônica e me interessei por arquitetura. Mas logo no primeiro semestre eu percebi que era mais “digital” do que “tradicional”. Enquanto a sala toda fazia croquis no papel ou esculturas em blocos de cartolina eu já tinha o projeto pronto no computador, era muito mais fácil para visualizar assim. Se tornou mais um interesse cultural do que profissional.
 
No meio deste tempo, a web se transformou bastante e vi onde me encaixaria profissionalmente. Tranquei o curso e procurei emprego na área e ao mesmo tempo passei no vestibular em outra faculdade. Ironicamente estou mais perto hoje da Bauhaus em Dessau do que se tivesse continuado em Arquitetura.
 
Quais são os principais benefícios e desafios em atuar como profissional de tecnologia na Alemanha?
 
Eu não posso falar por toda a Alemanha e nem por todas as indústrias, mas além do acesso a bens de consumo que no Brasil para mim eram difíceis e outros impossíveis, o principal é qualidade de vida. Em São Paulo às vezes trabalhar 14 horas por dia era o normal, fora o trajeto. Aqui a jornada de trabalho depende da indústria, em empresas grandes existem conselhos do trabalho que negociam os benefícios e outros pontos contratuais com o empregador. Em geral as leis trabalhistas são bem fortes para ambos os trabalhadores e as empresas.
 
Mas é claro que isso depende, por exemplo, conheço pessoas que trabalham em projetos que antes da pandemia precisavam viajar 5 horas por dia. Existem também startups em que você como funcionário tem de fazer tudo, outras empresas dão um telefone corporativo e tem de ficar em “on call”, ou seja, fora do horário de escritório.
 
Em termos de desafios, o maior é a burocracia no dia a dia, mas também é uma oportunidade para digitalização. Por exemplo, aqui ainda se usa fax, e existe uma enorme preocupação com privacidade e proteção de dados, mais forte que no restante da União Europeia. No Brasil estamos acostumados a usar nossas digitais para banco, bater ponto, entrar no escritório. Aqui as pessoas têm resistência até em usar cartão de débito. Então há bastante espaço para inovação e trabalhar em diferentes projetos para solução de problemas, mas não esperem que tudo seja exatamente igual no Brasil ou em outros países.
 
Neste momento de pandemia, muitos profissionais de tecnologia estão trabalhando remotamente para empresas baseadas em outros países. Como você julga este fenômeno trabalhando no exterior?
 
Não tenho muita proximidade com RH, mas acredito que é um divisor cultural de empresas. Quem puder escolher, vai escolher o ambiente que prefere trabalhar e com certeza o trabalho remoto será cada vez mais um “benefício” listado em descrições de oportunidades para reter talentos.
 
Para mim tudo que aconteceu na pandemia em relação às dinâmicas de trabalho não foi novidade. Faço reuniões remotas desde meu primeiro emprego e até me assustei com a dificuldade que alguns se adaptaram a isso, mesmo dentro da área de tecnologia. A diferença é que antes no Brasil eu ia para o escritório para fazer as reuniões em Zoom com os clientes e colegas que estavam fora, e agora faço em casa, mas meu primeiro emprego já oferecia home office em casos especiais.
 
Com as campanhas de vacinação na Europa, algumas empresas que antes falavam de trabalho remoto, agora falam em “trabalho híbrido”. Empresas de consultoria têm departamentos só para gerenciar despesas de viagens de trabalho, mas agora os clientes estão percebendo que não precisam gastar tanto com elas, talvez nem com seus próprios funcionários em escritórios. Ao mesmo tempo, o trabalho remoto assusta as corporações que criaram carreiras em gerentes intermediários, aqueles que precisam controlar se os funcionários estão realmente trabalhando e sendo produtivos, de repente se viram sem controle. Na minha opinião, o trabalho remoto só funciona onde se tem autonomia e confiança mútua entre funcionário e empregador, colegas, gerentes e clientes.
 
Em termos de segurança, algumas indústrias devem flexibilizar um pouco mas não totalmente por questões de proteção de dados. Mesmo com redes privadas e autenticadores para todos os acessos às ferramentas de trabalho em casa, as consequências de crimes cibernéticos são muito altas. Não esperem que todo o setor financeiro e de telecomunicações se tornem 100% remotos. Mídia, marketing e o desenvolvimento de aplicações para as áreas “públicas” ou sem dados sensíveis sim, mas outras camadas não.
 
Por conta disso acredito que as empresas ainda irão trazer funcionários de outros países devido a demanda e falta de talento, mas os processos seletivos podem ser mais acirrados. Vejo benefícios em algumas vagas como “trabalhe de qualquer lugar da Europa” mas isso só vale para cidadãos europeus, por questões de impostos e seguros de saúde. Em relação ao trabalho remoto do Brasil para empresas de outros países é uma excelente oportunidade por conta do câmbio e fuso horário flexível, mas entram outras questões como estabilidade e imposto de renda. Para quem já está acostumado a trabalhar como Pessoa Jurídica não muda muito, mas para quem trabalhou a vida toda como Pessoa Física, é preciso pesquisar e ter um plano de negócio.
 
Por último, a pandemia ainda não acabou. Como falei, o que as pessoas de outras áreas viram em 2020 e 2021, eu já vivia desde 2009. Mas as relações de trabalho ainda são mutáveis e acredito que se alguma empresa ainda não se adaptou ou aprendeu algo com trabalho remoto no começo da pandemia, ainda está em perigo, não só por quarentenas e restrições ou perdas financeiras, mas também pelo turnover de funcionários insatisfeitos com as políticas adotadas (ou não) de trabalho remoto.
Samuel Guimarães: "Já a minha principal dica para todas as áreas é encarar imigração como uma “troca” e não um “upgrade” do que se tem no Brasil. É necessário pesquisar muito, mas muito mesmo, para evitar frustrações".
Qual seria sua dica para quem quer trabalhar como tecnologia fora do Brasil?
 
A vantagem dessa área é que apesar do idioma diferente, falamos a mesma “linguagem”, então os conceitos, teorias, padrões e tecnologias são os mesmos. Quanto aos processos seletivos, existem vários recursos e ferramentas para isso. Geralmente as empresas enviam um desafio de código e lógica ou um mini-projeto. É possível encontrar vários exemplos online para praticar, assim como “entrevistas exemplo”. Dependendo da tecnologia é possível usar alguns recursos “prontos” que otimizam o tempo para desenvolver estes projetos, é sempre bom ter um projeto modelo pronto antes de começar um processo seletivo.
 
Também existem portais onde as pessoas avaliam anonimamente as empresas em que trabalham, sendo o principal o Glassdoor, mas cada país tem o seu. Com isso é possível ter uma ideia dos salários, as condições de trabalho e até o que perguntam nas entrevistas em alguns casos.
 
Já a minha principal dica para todas as áreas é encarar imigração como uma “troca” e não um “upgrade” do que se tem no Brasil. É necessário pesquisar muito, mas muito mesmo, para evitar frustrações. Pesquisem tudo, desde custo de vida direto e indireto, saúde pública, educação, burocracias, política, cultura, diversidade, sociedade, leis, vistos e direitos. Tenham um plano B, C, D e até o alfabeto grego se for necessário.
 
Não se intimidem pela negatividade mas também não acreditem em conto de fadas de blogueiros e YouTubers. As redes sociais são boas para tirar dúvidas mas é importante estar ciente que existem pessoas de diferentes realidades que passaram por dificuldades e processos (não só de visto) diferentes em etapas de vida diferentes e todos terão algum viés. E se não der certo em um lugar, tem sempre um outro.

+ DE 50 CURSOS PARA VOCÊ DECOLAR EM SEU TRABALHO REMOTO OU CONSEGUIR AQUELA OPORTUNIDADE DOS SONHOS

Num mundo onde “disrupção” é uma palavra recorrente e que já virou realidade em nosso cotidiano, não dá para permanecer indiferente. Sabemos que num contexto de mudanças cada vez mais agressivas, a profissionalização e o desenvolvimento de habilidades são imprescindíveis para todos que desejam avançar em suas áreas de atuação ou até mesmo para aqueles que desejam mudar de indústria, setor ou até mesmo de país.


A gente quer que você se prepare para conquistar seu espaço no mercado de trabalho mundo afora e se adapte às mudanças que estão ocorrendo a todo vapor. Confira nosso catálogo de cursos online com professores qualificados nas áreas de audiovisual, design, games, marketing, programação & ciência dados e softwares.