O que você precisa saber sobre microfones

Última atualização
13 nov 2023
Tempo de leitura
10 min

Pensando em montar (ou aprimorar) o seu home studio? Então, um microfone será provavelmente a sua primeira aquisição. Para que essa escolha seja a mais acertada, identificamos os padrões de captação e os tipos de microfones disponíveis no mercado.

Seja para a produção de músicas, podcasts, lives, narrações ou qualquer outro tipo de produção que envolve a captação de áudio, os microfones são parte fundamental para um home studio.

No geral, microfones são equipamentos que transformam energia cinética, que é o resultado da vibração do seu diafragma provocada pelo movimento das ondas sonoras, em energia elétrica. Esse processo resulta no som que gravamos e que podemos ouvir posteriormente.

Mas antes de escolher um modelo, é necessário conhecer as diferenças entre os microfones disponíveis no mercado para entender qual será o mais adequado para o seu tipo de produção.

Por isso, neste artigo vamos explicar os diferentes padrões de captação (polaridade) dos microfones, os diferentes tamanhos de diafragma que eles podem possuir e, por fim, os principais tipos de microfones que você precisa conhecer.

Padrão de captação dos microfones (polaridade)

O padrão de captação, ou polaridade, refere-se ao direcionamento da captação do microfone. Ou seja, em qual direção é realizada a captação do som no microfone e em qual direção essa captação não acontece.

Cardioide

Este é um dos tipos de captação mais conhecidos. Os microfones cardióides captam o que está logo à sua frente, ignorando os sons e ruídos que ficam na parte de trás.

O modelo é bastante utilizado em apresentações ao vivo ou para outras captação que necessitam bloquear outros ruídos, como na captação de bateria na qual o microfone que está nos tons e surdos não deve captar os sons de pratos que ficam bastante próximos.

 

Imagen: commonds.wikimedia.org

Supercardioide e hipercardioide

Tanto o padrão supercardioide quanto o hipercardioide podem ser considerados uma “versão turbinada” do padrão cardioide. Isso porque eles têm o padrão de captação frontal ainda mais focado que os cardióides, reduzindo um pouco mais as captações laterais e rejeitando ainda mais os sons que não estão exatamente na frente do microfone.

Contudo, o ângulo mais fechado desse padrão de captação gera uma “sobra” na parte traseira, que em algumas situações pode captar alguns ruídos do ambiente.

Imagen: krunner.home.blog

Omnidirecional

O prefixo “omni” exprime o sentido de “tudo” ou “todo”. No quesito microfones, os omnidirecionais tem uma captação de som de 360°. Ou seja, ele é capaz de captar todos os sons ao seu redor.

Esse padrão não possui zonas de cancelamento de som e é capaz de captar bastante detalhes do ambiente. Normalmente ele é utilizado em gravações acústicas, que acontecem em salas com preparação e controle dos sons ambientes, ou em gravações de diálogos, como em filmes ou entrevistas.

Imagen: wikipedia.org

Figura 8 ou bidirecional

O número 8 é utilizado para expressar o formato da captação deste modelo, como podemos ver na imagem abaixo. O modelo figura 8, também conhecido como bidirecional, capta sons que estão logo à frente ou atrás do microfone, ignorando sons nas laterais e próximos da região central.

É um modelo bastante utilizado para captar reflexões de sala, quando se deseja captar a interação do som com o ambiente, ou para gravar diálogos, como em podcasts e entrevistas.

Imagen: krunner.home.blog

Shotgun

Esse é um padrão com grande capacidade de captação frontal direcionada, que não bloqueia as laterais e a parte traseira, mas possui uma captação bem reduzida nessas áreas.

Este é um modelo bastante utilizado em gravações de programas de televisão. Se você já assistiu vídeos de bastidores e coisas do tipo, já deve ter notado que normalmente há um microfone longo posicionado acima das pessoas da cena – esse é o shotgun.

Imagen: wikipedia.org

Tamanho do diafragma do microfone

O diafragma é o grande responsável pela conversão de ondas sonoras em ondas elétricas. Ele é um material fino e bastante sensível, localizado no interior dos microfones, que vibra ao entrar em contato com as ondas sonoras. Essa vibração gera a energia cinética que é, então, transformada em energia elétrica.

O tamanho do diafragma vai impactar na sensibilidade do microfone, níveis de pressão que ele suporta, seus limites de alcance de frequência e seu nível de ruído interno.

Imagen: itigic.com

Diafragma em um microfone dinâmico e um microfone condensador.

Imagen: itigic.com

Diafragma pequeno

Normalmente, os modelos de microfones que possuem diafragma pequeno são conhecidos como pencil mic (microfone caneta), por conta de seu modelo cilíndrico e fino. Microfones desse tipo são utilizados para aguentar altas pressões sonoras, com capacidade de captar altas frequências (agudos).

É um modelo bastante utilizado para gravar fontes sonoras mais agudas, como violões e chimbal. Entretanto, por conta da sua sensibilidade a esse tipo de frequência, ele não é indicado para gravação de outros tipos de fontes sonoras, como sons de bateria.

Vale também ressaltar que esse modelo de diafragma gera bastante ruído interno no microfone, o que pode atrapalhar determinados tipos de gravações.

Diafragma médio

Considerados como modelos “híbridos”, microfones de diafragma médio carregam a capacidade de captar sons “cheios” dos modelos de diafragma grande, sem perder a sensibilidade a sons agudos do diafragma pequeno.

Microfones deste tipo são relativamente recentes, portanto não possuem uma presença de mercado tão grande quanto os outros dois modelos. São microfones bastante modernos que estão ganhando cada vez mais espaço em gravações e apresentações.

Diafragma grande

Este é um modelo sensível a todas as vibrações sonoras. Inclusive, quanto maior for o diafragma, maior sua sensibilidade às vibrações e, portanto, maior a captação de detalhes sonoros do microfone.

Esse tipo de diafragma com alta sensibilidade confere bastante fidelidade e naturalidade aos sons captados. Isso faz desse modelo um dos mais utilizados em estúdios, por exemplo. Ele pode ser aplicado na gravação de praticamente qualquer fonte sonora, desde baterias até vozes e instrumentos acústicos.

Imagen: www.soundonsound.com

Os diferentes tipos de microfone

Por fim, além de compreender o padrão de captação e o tamanho do diafragma, precisamos conhecer os três principais tipos de microfones que são mais utilizados na captação de áudio.

Microfone dinâmico

Esse é o modelo mais popular dos três, e a maioria das pessoas já viu um desses em alguma ocasião na vida. Ele possui um ótimo custo-benefício e é utilizado em estúdios profissionais, home studios e apresentações ao vivo, comprovando sua versatilidade e o motivo de ser tão popular.

Uma das características de destaque desse tipo de microfone é a sua capacidade de aguentar pressões elevadas, o que os torna ótimos para captar sons mais “altos”, como no caso de baterias e percussões. Por isso, dizemos que os dinâmicos possuem as melhores taxas de sound pressure level (SPL – nível de pressão sonora).

Outro ponto importante é o cancelamento de sons e ruídos que vão além de seu ângulo de captação. Ou seja, ele ignora sons que estejam muito distantes ou nas regiões fora do seu padrão de captação.

Este modelo de microfone não necessita de nenhuma fonte de energia externa para funcionar, basta conectá-lo à caixa de som, computador, mesa de áudio ou outro receptor e começar a usá-lo.

Microfones dinâmicos Shure SM57 e SM58, um dos mais populares do mercado. Imagen: www.soundonsound.com

Microfone condensador

O primeiro ponto a ser mencionado sobre microfones condensadores é que, para funcionar, eles necessitam de uma fonte de energia externa, conhecida como phantom power (energia fantasma, em tradução livre), que pode ser proveniente de uma interface, fonte ou até mesmo pilhas. Isso acontece por conta do tipo de diafragma que este microfone possui.

Neste modelo, o diafragma é fino e condutivo e fica localizado próximo à uma placa de metal, tornando-se um tipo de capacitor elétrico e necessitando dessa fonte de energia externa.

O ponto forte de microfones condensadores é sua alta sensibilidade a sons, o que o torna capaz de captar muitos detalhes sonoros. Além disso, há modelos de condensadores com praticamente todos os tipos de polaridades, o que os tornam aplicáveis a inúmeras situações de captação de áudio.

Por ser um microfone bastante sensível, o mais indicado é que ele seja utilizado em ambientes com maior controle acústico. Dessa forma, não haverá muitos ruídos, ecos ou sons indesejados na gravação.

No geral, os principais usos de microfones condensadores são em estúdios, principalmente para gravações de vozes, e como overheads em baterias (microfones que ficam posicionados acima da bateria).

Microfone condensador Rode NT1-A. Imagen: www.royalmusic.com.br

Microfone de fita (Ribbon)

Este é um tipo de microfone mais antigo e que foi bastante popular nas décadas de 1950 e 1960, principalmente em emissoras de rádio. Entretanto, ele tem voltado a ganhar certa relevância entre produtores musicais por conta do seu som com um certo tom “vintage”.

O diafragma deste modelo possui uma fita de metal bastante fina capaz de captar não apenas a movimentação do ar da fonte sonora, mas também a velocidade desse movimento.

Os microfones de fita são bastante sensíveis a agudos, sendo ótimos para gravar guitarras por exemplo. Esse não é um modelo muito encontrado por aí, mas costuma ser utilizado em situações em que se busca uma sonoridade mais característica, com o aspecto “vintage” que mencionamos.

Um dos fatores que fez com que os microfones de fita não seguissem tão populares foi a sua fragilidade. Antigamente, a vida útil de um modelo desses era bastante curta, o que levava as pessoas a optarem por outros tipos. Mas hoje em dia já é possível encontrar modelos mais resistentes, com uma durabilidade maior.

Microfone Oldbox M1 Ribbon, microfone de fita fabricado no Brasil. Imagen: www.facebook.com

Qual é o melhor tipo de microfone para um home studio?

A resposta para essa pergunta é: depende! A definição do melhor tipo de microfone para um home studio vai depender do que será gravado, qual o objetivo esperado com a gravação, como é o ambiente desse home studio e qual o orçamento para a compra de equipamentos. No geral, as opções mais escolhidas ficam entre os modelos condensadores e dinâmicos.

Como vimos, microfones condensadores são ótimos para gravar sons com mais detalhes e fidelidade, sendo ótimos para gravações de instrumentos de corda e vozes. Mas ele terá um desempenho melhor em ambientes mais silenciosos e com um certo tratamento acústico, diminuindo a reverberação do som ou entrada de ruídos externos, como veículos na rua.

Já os microfones dinâmicos são ótimos para ambientes com mais ruídos, já que possuem grande cancelamento de sons fora do seu ângulo de captação. Eles também podem ser usados para gravar vozes e outros instrumentos, inclusive baterias, já que suportam alta pressão sonora.

Mas a resposta final para essa pergunta é que o melhor microfone para um home studio é aquele que atende suas necessidades e cabe no seu orçamento. É possível gravar praticamente qualquer coisa com qualquer microfone, o segredo é entender como ele funciona e qual a melhor forma de utilizá-lo.

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Michele Lopes

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