Programação & Data Science

Duelo de titãs: entenda a disputa

entre Apple e Facebook

O entretenimento está servido com este duelo de proporções homéricas entre Apple e Facebook. Nas últimas semanas, os usuários de iPhone começaram a receber uma notificação numa caixa de diálogo logo ao abrir aplicativos instalados em seus smartphones. O APT (App Tracking Transparency) dá ao usuário a possibilidade de escolher se os apps podem ou não rastrear suas atividades e coletar dados como idade, localidade, histórico de navegação, entre outras informações pessoais.

Num vídeo lançado para conscientizar o público sobre esta função implantada na última atualização do iOS, a Apple afirma que “...eles (os apps) coletam milhares de informações sobre você para criar um perfil digital que será vendido para terceiros. Estes terceiros usam seu perfil para impactá-lo com propagandas, também podem usá-los para prever e influenciar comportamentos, decisões e isto acontece sem a sua autorização prévia ou conhecimento”. Confira o vídeo promocional abaixo:
A nova política de privacidade enfureceu a empresa de Mark Zuckerberg. A Apple está basicamente dando a milhões de pessoas que usam iPhones uma escolha simples de recusar entregar suas informações para viabilizar anúncios pagos. Basicamente, os mais valiosos clientes do Facebook são empresas de publicidade e anunciantes que pagam para colocar anúncios personalizados em nossos feeds enquanto usamos o Instagram ou o próprio app do Facebook. Ou seja, nossos dados são “produtos” à venda.

Amizade e rivalidade

Contudo, as duas empresas gigantes nem sempre estiveram em pé de guerra. Há pouco mais de uma década, Apple e Facebook coexistiam pacificamente. Mark Zuckerberg e Steve Jobs se encontravam regularmente e desenvolveram uma espécie de relação simbiótica. A “maçã” de Jobs comercializava o smartphone que criou uma nova categoria de produto no mercado ao mesmo tempo que servia como plataforma ao Facebook que, por sua vez, beneficiava-se de sua rede social já com milhões de usuários em diversos países.

Não que tudo fosse mil maravilhas. As rusgas começaram logo quando o Facebook desenvolveu estudos a fim de lançar seu próprio smartphone para reduzir sua dependência da Apple, além de ter lançado o Facebook Messenger que atrapalhou o desempenho do iMessage.
Ao assumir a cadeira de Steve Jobs como CEO da Apple, Tim Cook revelou seu lado mais conservador em relação à coleta de dados dos usuários. Ao ser questionado sobre o que pensava dos diversos problemas pelos quais o Facebook passava recentemente envolvendo principalmente o imbróglio do escandâlo Cambridge Analytica, Tim Cook foi bastante explícito ao atacar a parceira de Vale do Silício. “Não vamos traficar sua vida pessoal. Acho que é uma invasão de privacidade. Privacidade, para nós, é um direito humano. É uma liberdade civil. E é algo exclusivo da América”, declarou o CEO da Apple. Acredita-se que Tim Cook tenha de fato uma preocupação pessoal em relação à privacidade dos usuários na internet.
Você se recorda?
O escândalo envolvendo o Facebook e a Cambridge Analytica tornou-se um verdadeiro calcanhar de Aquiles para a gigante azul de Zuckerberg. O episódio refere-se aos dados pessoais de 87 milhões de usuários do Facebook que a consultoria Cambridge Analytica explorou desde o início de 2014. Essas informações foram usadas para influenciar as intenções de voto a favor de políticos que contrataram seus serviços. Após a divulgação do vazamento, os públicos dos EUA e países europeus expressaram sua indignação. Embora o Facebook tenha se desculpado publicamente, a empresa ainda luta para recuperar sua imagem arranhada.
Quando Zuckerberg revidou as críticas de Tim Cook

Não demorou para Mark Zuckerberg revidar o criticismo da gigante da maçã. “Quero dizer, veja, se você quer construir um serviço que não visa apenas servir aos ricos, então você precisa ter algo que as pessoas possam pagar”, afirmou Zuckerberg.

A declaração do CEO destacou que a intenção dos anúncios é tornar os serviços das plataformas do Facebook gratuitos, criticando assim os preços exorbitantes da Apple. Nem todo mundo está a fim de pagar preços altos para usar um serviço ou produto. Aliás, o contra-ataque às novas políticas de privacidade da Apple baseia-se no argumento de que os anúncios segmentados do Facebook permitiram milhares de pequenos negócios dos EUA crescer exponencialmente com o serviço de segmentação local da empresa. Entretanto, a tentativa de posicionamento não colou e gerou desconfiança.

Uma jogada de mestre

Apesar dos argumentos de Tim Cook parecerem legítimos, é difícil ignorar as incongruências da Apple que possui como um de seus principais mercados a China cujo governo é acusado constantemente de coletar e manipular dados indevidamente. Todos os dados do iCloud referentes aos usuários chineses estão armazenados em servidores em território chinês.

Apesar de estar desenvolvendo seu próprio buscador na internet, a Apple possui um acordo com o Google para que seja o mecanismo de pesquisa padrão do navegador Safari. Todos nós estamos cientes de que nem mesmo a principal subsidiária da Alphabet Inc. está gozando de boa reputação no quesito privacidade dos usuários. Além disso, a Apple também tem um serviço de anúncios pagos em sua loja de aplicativos. Amiga, não tem como te defender!
O CEO da Apple, o norte-americano Tim Cook
De qualquer maneira, se a empresa de Steve Jobs deseja aplicar uma jogada de mestre em termos de marketing, as probabilidades são altas de ser bem-sucedida. O APT (App Tracking Transparency)  é atraente para clientes que, superficialmente, se preocupam com a sua privacidade e vai ao encontro das soluções desenhadas para diminuir a exposição de nossas informações pessoais na internet. Ao implementar a nova política, a Apple também também expande seus negócios que competem com o Facebook e Instagram, mesmo que esteja indiretamente infringindo seus próprios objetivos de privacidade. No primeiro trimestre de 2021, a “maçã” de Tim Cook bateu recorde e obteve receita de US$ 111,4 bilhões.

O futuro das big techs

Segundo o jornal New York Times, as empresas do Vale do Silício lutam entre si em vários setores diferentes: streaming, games, podcasts.

Porém, de acordo com a publicação, o próximo duelo terá como centro de disputa os campos da realidade virtual e realidade aumentada, VR e AR. Tanto a Apple quanto o Facebook possuem centro de pesquisas nos quais fazem todo esse desenvolvimento desta alta tecnologia que irá gerar uma competição ferrenha nos próximos 5 ou 10 anos.
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Nosso professor: André Perez, engenheiro de dados na Stone


André atua no desenvolvimento e manutenção de pipeline de dados, atualmente como Engenheiro de Dados na Stone. Trabalhou na Serasa Experian, onde liderou a modernização da infraestrutura computacional da concessão de crédito, e na Amdocs, onde conduziu projetos de ciência de dados em Tel-Aviv, Israel. Atualmente é aluno de mestrado no Instituto de Ciências Matemáticas e Computação (ICMC/USP) e tutor do MBA em ciência de dados da mesma instituição.