Games

Novas plataformas e engajamento mobile: o potencial do setor gamer no Brasil

Em 2020, a Comscore, empresa norte-americana de análise e mensuração de dados da internet, divulgou os resultados da pesquisa “O mercado de games no digital”. O estudo inédito trouxe insights sobre o engajamento, demografia e comportamento dos usuários na categoria de games. Além das análises comportamentais, a pesquisa também revelou o enorme potencial gamer do Brasil.

E os dados impressionam. O estudo aponta que o total da população digital brasileira é composta aproximadamente por 120 milhões de usuários brasileiros. Deste universo, a pesquisa revelou que o mercado de games alcança cerca de 70% da população digital nacional, um número que está em cerca de 84 milhões de pessoas.

Além disso, 8,4 milhões de usuários acessam os jogos por mais de uma plataforma e 11,6 milhões deles se conectam apenas pelo desktop. Outro dado interessante é a revelação de que os jogadores ou gamers apresentam um importante engajamento em mobile, passando um tempo médio 8% maior nos dispositivos móveis como smartphones ou tablets.
“O mercado de games no Brasil segue em constante expansão e mostra-se cada vez mais dominante. O país é o único da América Latina que figura entre os top 5 no ranking daqueles com maior número de usuários na categoria de jogos on-line, com uma média mensal de horas consumidas maior que China, Índia e outros líderes no mundo. Isso mostra que somos um mercado potencial para a indústria”, afirmou, em comunicado à imprensa, Eduardo Carneiro, diretor geral da Comscore no Brasil na divulgação da pesquisa.

Para falar sobre a indústria de games no Brasil, conversamos com Sandro Morishita, Program Manager na Kokku, e professor do curso de Projetos em Games na EBAC. Leia a entrevista na íntegra a seguir:
1. Atualmente, vemos que o número de usuários de games no Brasil está expandindo fortemente. Novas plataformas como o smartphone possibilitaram que os jogos se popularizassem. Como você enxerga este fenômeno daqui para a frente?

Essa tendência só tende a crescer ainda mais daqui para frente por diversos fatores: acessibilidade constante a aparelhos e evolução da tecnologia como, por exemplo, a tecnologia 5G que entregará ainda mais velocidade e conectividades entres os jogadores e os jogos. A diversidade nos jogos irá aumentar à medida que mais pessoas criem jogos por meio de novos pontos de vista e experiências, assim ampliando ainda mais o público. Também por meio de novas maneiras de jogar com o avanço da Realidade Virtual e Aumentada tornando-se mais acessível e presente no dia a dia das pessoas.

2. Como definiria o avanço do mercado de games no Brasil e quais estúdios devemos ficar de olho nos próximos meses?

O mercado brasileiro cresce a cada ano, tanto do ponto de vista do consumidor como do criador. Hoje em dia, diversos estúdios brasileiros já são destaque no cenário mundial no desenvolvimento de jogos dos mais variados tipos e estilos, temos a Kokku que participa de grandes projetos Triplo A como Call of Duty e Horizon Zero Dawn, assim como a Wildlife , Aquiris, Space Sheep e Tapps que tem inúmeros projetos com imenso destaque no mercado mobile e assim como o estúdio ARVORE que foca seus projetos em Realidade Virtual e Aumentada, eles inclusive já ganharam um Emmy por um de seus projetos.
3. Poderia explicar resumidamente para os nossos leitores como funciona o desenvolvimento e lançamento de um jogo no mercado?

Tudo começa com um estudo definindo quem será o seu público e mercado, o que essas pessoas gostam de jogar e por onde elas jogam, com isso iniciamos um trabalho de brainstorm onde todos os membros da equipe participam dando sugestões de possíveis jogos para esse público, analisando referências, as demandas que esse projeto pode exigir em termos de equipe, conhecimento, equipamento etc.

Uma vez definido o estilo do jogo, começamos criando protótipos para validar o que chamamos de mecânica principal do jogo, a ação que o jogador mais irá executar neste jogo. É primordial neste momento trabalharmos até definirmos a mecânica mais divertida, compensatória e funcional para o jogo, e a partir disso, nós construímos o resto do jogo ao redor dela.
Paralelamente a equipe de marketing e vendas começa a preparar o lançamento, definindo para quem e como vamos anunciar o jogo para o público-alvo e, assim que o jogo é lançado, é feito um trabalho de acompanhamento tanto da performance do jogo assim como os pontos de vista técnico e de feedback dos jogadores, para que possamos entender e melhorar ainda mais os nossos jogos.

4. Sabemos que existem muitas variáveis envolvidas para o sucesso de um game como a capacidade de entretenimento do jogo em si e o nível de experimentação oferecido ao usuário. Como integrar estes fatores com um storytelling eficaz?

É tudo uma questão de equilíbrio, um game é jogado por diversas pessoas diferentes, e cada uma delas tem uma expectativa e desejos para o seu jogo, o ideal é criar um jogo onde os pontos de entretenimento, experimentação e storytelling são atendidos de uma maneira eficaz e agradável de maneira balanceada. Obviamente, seu jogo vai ter uma característica a um desses pontos com mais destaque, conferindo a personalidade dele, mas é extremamente importante não se esquecer desses outros pontos do seu jogo.
Sandro Morishita: "Comece a criar os seus jogos o quanto antes".
5. Você já passou por diversas produtoras do mercado de games como Ubisoft, Glu mobile, Dreams on Demand, Aplay Studios, Sinergia Studios e hoje na atua na Kokku como Program Manager. Na sua visão, quais são as principais semelhanças e diferenças entre elas?

Elas são uma grande linha de aprendizado para mim, a cada experiência eu aprendo algo novo e desafiador, trabalhar com tecnologia é algo ao mesmo tempo interessante e intimidador, pois você sempre deve estar sempre se atualizando, conhecendo as novas tendências e como aplicar tudo isso em seus novos projetos.

A principal semelhança em todas essas empresas é a paixão em criar jogos, em desenvolver as melhores maneiras para divertir e impactar os jogadores, e as diferenças são as formas como podemos fazer isso, através de diferentes estilos de jogos, tipos de plataformas, formas de controle e, principalmente, para diferentes jogadores.

6. Qual seria seu conselho para quem está começando na indústria de games hoje?

Comece a criar os seus jogos o quanto antes. Quando começamos a conhecer essa área, vemos que existe muito conteúdo para ser aprendido e podemos nos concentrar muito em adquirir esse conhecimento, o que é ótimo e necessário, mas para quem realmente quer participar da indústria dos jogos é primordial dar o primeiro passo na produção do seu próprio jogo. Independentemente da área que escolher, o primeiro projeto irá ensinar mais do que alguém pode imaginar.

Quando realmente nós nos prontificamos em criar algo do início ao fim, é quando vamos ter uma visão global do desenvolvimento do jogo, você vai entender e dar valor para cada uma área que faz parte do jogo, portanto, planeje e crie o seu primeiro jogo, comece com algo simples, curto e divertido, talvez esse primeiro projeto não seja o jogo dos seus sonhos, mas ao fazê-lo ele sem dúvida irá te ajudar a chegar até lá.

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Gamer, se você estiver lendo até aqui, já deve ter ouvido aquela frase: faça o que ama e não precisará nunca trabalhar. Esta é a realidade um game designer, você deverá respirar e amar jogos com todo seu coração. E aí, vamos desenvolver aquele jogo que você sempre sonhou?


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Resumindo: você irá compreender todas as etapas da criação de um jogo. Ao final, você terá montado uma estrutura completa que será o seu primeiro projeto de game com seu próprio personagem.

O mercado de jogos explodiu mundialmente nos últimos anos e não para de crescer. Passou de US$ 1,9 bilhões em 2015 para US$ 2,2 bilhões - e a projeção para os próximos anos é ainda melhor: uma movimentação de US$ 3 bilhões em 2023, de acordo com o último relatório global divulgado pela Newzoo. Quer saber como isso te afeta? Simples: o Brasil ocupa a 13ª posição no ranking do mercado de games e é líder entre os países latino-americanos.


Nosso professor: Sandro Morishita


Com mais de 10 anos de experiência como Game Designer e passagem por diversas produtoras do mercado de games como Ubisoft, Glu mobile, Dreams on Demand, Aplay Studios, Sinergia Studios, Sandro atua como Program Manager na Kokku.

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