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Burle Marx e o paisagismo brasileiro
O legado de Burle Marx é riquíssimo para o paisagismo. Ao utilizar a nossa vegetação nativa como peça chave de seus planos paisagísticos, ele elevou o paisagismo brasileiro ao prestígio internacional com um reconhecimento único até os dias de hoje. Em tempos de conscientização ambiental, Burle Marx foi um pioneiro pela preservação do meio ambiente e reivindicava a proteção da Floresta Amazônica, que ele tanto amava. Saiba mais sobre o gênio na íntegra:
Numa entrevista ao jornal New York Times em 28 de março de 1965, Burle Marx explicava a composição de seus coloridos jardins: “A cor é o elemento básico num jardim. Gosto de usá-la em grandes áreas”. Ao selecionar espécies de plantas em diferentes cores, Marx também as utilizava em considerável massa e volume. Estas mesmas plantas eram consideradas verdadeiros tesouros, sendo geralmente espécies trazidas de suas expedições pela flora brasileira, como sua viagem pelo Rio Amazonas, por exemplo. Sobre o tema, Marx revelou na mesma entrevista: “Este é um dos meus hobbies, gosto de descobrir novas plantas que possuam esta vocação para os jardins”.

Com seu olhar artístico que comparava as plantas às esculturas, Marx ainda dava o tom do que é seu legado para o paisagismo: “Jardins deveriam ser como obras de arte, mas devem utilizam as leis e princípios da arte. Qualquer um que vá num jardim como um observador deve ser guiado através dos elementos do design de tal maneira de que ele sinta este senso de unidade”.

Ao lado dos urbanistas e arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer que planejaram Brasília, nossa icônica capital, Burle Marx é o principal responsável pela percepção utópica mundo afora das paisagens arquitetônicas e paisagísticas no Brasil: aquelas superestruturas modernas de concreto rodeadas de uma profusão de verdes em diferentes tonalidades.
Crédito: Tyba
Quem é Burle Marx?

Paulistano nascido em 4 de agosto de 1909 de família de origem judia, Marx mudou-se com seus pais para Berlim onde lá permaneceram de 1928 a 1929 para que ele pudesse seguir um tratamento oftalmológico. Vivendo numa cidade em plena efervescência cultural e artística num período bastante conturbado da história alemã, a República de Weimar, Burle Marx teve grandes influências artísticas nas exposições que visitava sobre Pablo Picasso, Henri Matisse, Van Gogh e Paul Klee. Estes artistas inspiraram o jovem Burle Marx a estudar pintura e, de fato, até o final de sua vida ele pintaria gravuras e quadros. Nas palavras do próprio artista: “Por eu ter começado como pintor, isso me ajudou como designer. Com frequência pinto meus projetos de jardinagem em planos de cores, não para fazer a pintura de um jardim, mas para entender a relação das formas".
Porém, o lugar decisivo que demarcou nesta estadia na Alemanha o início de sua carreira certamente foi o Jardim Botânico em Dahlem que possuía uma estufa com vários exemplares da vegetação brasileira: filodendros, bromélias e nenúfares. Mal sabia Burle Marx que ele mesmo se tornaria um dos maiores colecionadores de plantas vivas do planeta tendo descoberto mais de 35 espécies, as chamadas burlemaxii.

Ao retornar ao Rio de Janeiro em 1930, o jovem ingressou na Escola Nacional de Belas Artes, atual Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Durante sua formação superior, Burle Marx conviveu na universidade com ícones da arquitetura modernista brasileira tais como Oscar Niemeyer, Hélio Uchôa e Milton Roberto. Inclusive, o futuro paisagista iniciou seus estudos incentivado pelo seu amigo Lúcio Costa, urbanista e arquiteto responsável pela construção de Brasília ao lado de Niemeyer. Burle Marx também se juntaria aos dois no projeto paisagístico da então nova capital brasileira, onde seus emblemáticos jardins ainda são conservados.

A partir de sua formação, Marx iniciou seus projetos em diferentes capitais brasileiras como em Recife, São Paulo e Rio de Janeiro. Exemplos de seus trabalhos não faltam: o calçadão de Copacabana no Rio, os jardins do palácio do Itamaraty em Brasília, o verde inconfundível da vegetação ao redor da igrejinha da Pampulha em Belo Horizonte, também em Minas Gerais temos o incrível instituto Inhotim e, até fora do país, como o Biscayne Boulevard em Miami, os jardins do prédio da UNESCO em Paris e o Kuala Lumpur City Centre Park, na Malásia, sendo este seu último projeto.
Kuala Lumpur City Centre Park, Malásia
O legado ao paisagismo e ao meio ambiente

Burle Marx recebeu inúmeras homenagens por seu legado na comemoração dos 110 anos de seu nascimento em 2019. Resgatar seu legado é valorizar a genialidade deste brasileiro que através de seus jardins destacou a flora brasileira internacionalmente. Em tempos de conscientização ambiental, o paisagista foi um pioneiro pela preservação do meio ambiente e reivindicava a proteção da Floresta Amazônica, que ele tanto amava.

Ao utilizar a nossa vegetação nativa como peça chave de seus planos paisagísticos, Burle Marx elevou o paisagismo brasileiro ao prestígio internacional com um reconhecimento único que permanece até os dias de hoje. Também em 2019, o Jardim Botânico de Nova Iorque (New York Botanical Garden - NYBG) inaugurou uma grande exposição sobre a obra do Burle Marx que além de paisagista, era pesquisa e artista, como dissemos. Segundo o site ArchDaily, num tributo ao ilustre brasileiro, a mostra foi a primeira a combinar exuberantes jardins em homenagem aos projetos do paisagista com uma galeria dedicada às suas pinturas, desenhos e tapeçarias, revelando as conexões entre sua prática artística e seu comprometimento com a conservação do meio ambiente. Um verdadeiro gênio!
Aprenda sobre Burle Marx e paisagismo com a gente

A demanda por especialistas em paisagismo está em alta, mas a oferta de profissionais não está acompanhando essa necessidade de mercado. O curso em Paisagismo da EBAC foi pensado para que você possa colocar em prática a sua paixão pela natureza. Você estará pronto para começar uma carreira profissional com o portfólio que vai desenvolver aqui, ou poderá criar o jardim dos sonhos na sua casa. Aprenda com o paisagista Maurício Prada a transformar ambientes internos e externos com verdes de encher os olhos.

No curso de Paisagismo, você estará preparado para desenvolver projetos para os mais diversos ambientes: residências, condomínios, praças públicas, jardins públicos e privados e até monumentos históricos. Já pensou?


Você irá demonstrar suas ideias utilizando desenhos técnico em planta baixa, aquarela e recursos de softwares para exemplificar suas ideias para o projeto antes da execução. Também irá aprender sobre os diversos estilos de paisagismo ao redor do mundo e conhecer mais sobre sua mais importante matéria-prima: as espécies de plantas. Tá vendo a importância do Burle Marx?


Por esta razão, você terá uma perspectiva história para entender sobre paisagismo e conhecer sua trajetória. Além de conhecimento técnico, você vai sair deste curso com uma excelente bagagem cultural. Finalmente, para atuar no mercado cada vez mais competitivo, você irá aprender como negociar e lidar com fornecedores e clientes, escolher as plantas certas para seu projeto e as melhores formas de apresentá-lo.


Nosso professor: Maurício Prada


Nascido no Peru, Maurício sempre teve uma ligação intensa com a natureza. Logo que chegou ao Brasil, começou a trabalhar com Luiz Carlos Orsini, um dos principais paisagistas do país. Em 2013, abriu seu escritório próprio, o MPrada Paisagismo.


De lá para cá criou projetos paisagísticos de grande porte, como o Ilha Grand Cayman, Casa Tegra, Casa Cor, entre espaços com mais de 15 mil m² e jardins residenciais. Maurício atende clientes em todo território nacional e internacional, algumas de suas obras estão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e outros. Como paisagista, tem parceria com grandes escritórios de arquitetura e suas criações atendem projetos residenciais, comerciais e para mostras.