Design

O poder das cores no design de interiores
Elas são um recurso imediato para transformar qualquer ambiente, mas não só: as cores também influenciam nossos sentimentos e humor
Uma nova cor é capaz de mudar completamente a atmosfera de um ambiente. Elas têm papel fundamental na mensagem que será transmitida para as pessoas que irão viver ou trabalhar ali. “Mais do que uma linguagem visual para pensarmos o design dos espaços, as cores têm o poder de despertar sensações e influenciar a percepção do ambiente pelo cérebro humano. Elas são estímulos físicos, percebidos pela visão, e decodificados pelo cérebro. O uso da cor, a predominância, o tom, a saturação e como a iluminação vai incidir sobre ela muda a percepção que temos do espaço em relação dimensão, peso, temperatura e desperta emoções, condicionando, estimulando ou alterando comportamentos”, explica o arquiteto Cezar Figueiredo, da Desembola Decoração.

Portanto, na criação de um projeto, é preciso levar em consideração a preferência de quem vai transitar por determinado ambiente, ao mesmo tempo ter em mente qual a atmosfera que o designer de interiores quer criar. Cezar explica que “as escolhas devem atrelar os esquemas de harmonia e combinação cromática mais agradáveis e comunicação visual, como também pensar nos aspectos psicológicos e sensoriais da cor. E, sempre levar em conta como a percepção da cor é alterada pela iluminação. Tudo deve ser pensado em conjunto”.
Decoração sala; cores Cores decoração
"Um quarto com predominância de vermelho intenso produz uma sensação de movimento e inquietude, já o azul pastel já nos traz uma sensação de calma. E essas sensações não tem relação com você gostar ou não de azul ou vermelho. Portanto, a escolha da cor deve ser muito criteriosa em relação ao uso, sobretudo em espaços com atividades que demandam algum tipo de sensação específica. Isso não quer dizer que existem cores que não possam ser usadas em determinados ambientes, mas é preciso dosar seu uso pensando nessas questões sensoriais e de estímulos", diz Cezar.
Crédito: Markus Spiske on Unsplash
A psicóloga, socióloga e terapeuta alemã Eva Heller publicou, em 2012, o livro “Psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão”. “A publicação é muito fundamental para esse entendimento chamado ‘psicologia das cores’. Nele, Eva vai além das questões sensoriais imediatas da percepção das cores e aborda as relações profundamente enraizadas em nossa sociedade em relação às cores que se refletem na nossa linguagem e no nosso pensamento em relação a elas. Eu gosto muito de pensar a psicologia das cores como esse arcabouço que não envolve apenas a percepção mas também uma construção social de seus significados. É impossível dissociar a ideia de vermelho a alguma conotação de paixão, por exemplo, enquanto é também uma cor dinâmica e estimulante. Esses aspectos coexistem, então seria muito simplista dizer que uma cor tem uma relação tão direta no nosso psicológico, por que ela depende do contexto em que está sendo aplicada”, analisa Cezar.

Em “A interação da cor”, o artista e professor da Bauhaus Josef Albers também discute isso. Ele explica que a análise de uma cor sempre será feita em comparação a outra e isso é muito complementar a essa ideia de que a psicologia das cores não é um conceito isolado, mas que é uma leitura que envolve os sentidos mas também o contexto e o repertório de quem está sendo impactado por aquela cor. Então é sempre bom misturar esse conhecimento para se fazer uma escolha muito mais adequada para os ambientes.
As cores mais usadas no design de interiores (e seus significados)

Pedimos ao arquiteto Cezar Figueiredo que revelasse o que as cores mais aplicadas em seus projetos de decoração de ambientes transmitem. Veja:

AZUL
Tons profundos como azul marinho e azul cobalto, são ótimos para transmitir confiança e estão associados a qualidades admiráveis, como lealdade, paz e sucesso. Tons mais claros da cor, passam uma sensação de calma e tranquilidade.

VERMELHO
O vermelho é tom mais dramático e uma cor que desperta emoções e estímulos. É uma cor estimulante e que energizante e cria uma sensação de movimento onde é aplicada. Frequentemente associado a sentimentos como paixão, emoção e energia.

AMARELO
O amarelo está sempre associado a alegria, otimismo e energia, além de velocidade e luz do dia. Tem um efeito solar e reflete a cor por todo o ambiente.

VERDE
O verde é a frequência média das cores no espectro eletromagnético. Portanto é um tom extremamente positivo, pois estimula pensamentos de equilíbrio, crescimento e restauração. Imediatamente traz à mente o mundo natural, e uma sensação refrescante.
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Nossos professores: Bruno Simões, Ana Paula Barbosa, Matheus Marques e Vitor Penha


Bruno Simões, arquiteto, designer, curador e proprietário do Ateliê Bruno Simões, tem uma experiência ampla na econômia criativa brasileira. Atuando como arquiteto, designer, curador, crítico, educador e empresário nos últimos 13 anos, Bruno Simões construiu sua carreira com passagem pelo escritório franco-brasileiro Triptyque Architecture, como editor de conteúdo da revista Casa Vogue, do grupo Globo Condé Nast, e curador residente na Galeria Nicoli.


Ana Paula Barbosa, arquiteta e designer de interiores, ela possui em sua carreira mais de 10 anos de sucesso, atuando com nomes de peso da arquitetura nacionais e internacionais, como a Hueb Ferreira Arquitetos. Foi coordenadora da área de criação do FGMF, um dos mais premiados escritórios de arquitetura do país, e também do WeWork, uma das maiores empresas de coworking do mundo, onde foi responsável pela criação de espaços de trabalho criativos e acolhedores. Sua experiência na área inclui também o desenvolvimento e gerenciamento de projetos comerciais, residenciais e corporativos.


Matheus Marques é formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Paraná, possui mais de 14 anos de experiência e mais de 20 premiações por seus trabalhos como arquiteto. É sócio-fundador do Hiperstudio, um escritório de arquitetura que se dedica a projetos inovadores atrelados à responsabilidade cultural, econômica e ambiental. É reconhecido nacional e internacionalmente por seus projetos, em concursos de arquitetura e prêmios de sustentabilidade.


Vitor Penha é sócio e diretor de criação do Estúdio Penha, arquiteto e urbanista, formado pela Universidade Mackenzie, Vitor trabalha com luminotécnica há mais de 10 anos. É sócio e diretor de criação do Estúdio Penha, onde desenvolve o conceito do reuso e pesquisas nas áreas de percepção e luz. O Estúdio Penha já foi premiado em diversos concursos de arquitetura e decoração, como Prêmio Casa Claudia, WA Awards 24th cycle, Prêmio Deca e Architizer A+Awards- Special Mention in the Office. Entre seus projetos premiados estão os restaurantes Bráz Trattoria, Seen e Manioca, além do escritório da AKQA São Paulo.