Programação & Data

Como aprender o básico de programação

Um guia rápido para programação: respondendo as perguntas básicas

17 de maio, 2022

Poucas carreiras são tão atrativas hoje quanto as na área de tecnologia. É fácil entender o porquê: as possibilidades de atuação são vastas e se aplicam a todos os setores da economia.

As vagas de trabalho costumam ser bem remuneradas, e a demanda é crescente. Até 2025, a procura no Brasil será por cerca de 800 mil novos talentos em programação, desenvolvimento e afins. Esses são os dados de recente pesquisa da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação).

Por se tratar de uma carreira tão recente, as profissões ainda estão sendo regulamentadas. Isso significa que autodidatas dedicados conseguem ir tão longe ou até mais do que alguém que fez uma faculdade. E, se a ideia de se dedicar a uma carreira nessa área já passou pela sua cabeça, não importa onde você quer chegar, você vai partir deste ponto: aprender o básico de programação.

“As progressões mostram que se dobrar o número de desenvolvedores todos os anos, ainda assim demoraria 22 anos para suprir a demanda do mercado. Até mesmo o Google tem cerca de 180 processos seletivos abertos para desenvolvedores. Ou seja, mesmo essas grandes empresas estão trabalhando com menos que o ideal. É o profissional mais valioso da história ultramoderna, e a demanda é altíssima”, conta Arthur “404 Dev”, engenheiro sênior membro da X-Team, uma equipe internacional de alta performance da Fox, durante um dos Webinars da EBAC.

Os 4 pilares da programação

A programação funciona a partir do pensamento lógico. E a lógica ou pensamento computacional está baseado em quatro pilares centrais: decomposição, reconhecimento de padrões, abstração e algoritmo.

  • Decomposição “quebra” um problema em passos, tarefas ou etapas menores.
  • Reconhecimento de padrões identifica tarefas ou comandos que se repetem.
  • Abstração é aprender a identificar, na resolução do problema principal, quais dos passos e tarefas são essenciais para atingir o objetivo e quais não.
  • Algoritmo é o conjunto de passos que configura uma solução estruturada para um problema.

Como implementar os 4 pilares

O uso do pensamento computacional faz parte do nosso cotidiano e nem nos damos conta disso. Isso significa que esta forma de pensar e decodificar a realidade é acessível para qualquer pessoa.

Imagine que uma lâmpada da sua casa queimou. Queremos programar um robô para executar a tarefa sempre que isso acontecer.

Decomposição: lâmpadas de diferentes potências são usadas na casa, inclusive de cores diferentes, em cada cômodo. Vamos definir a atuação do robô para um local, digamos que a cozinha. A cor da lâmpada será a branca e a potência, de 9w a 12w. Depois dessas definições, o algoritmo de troca de lâmpadas será desenvolvido.

Reconhecimento de padrão: iremos utilizar este pilar para que o robô identifique o momento correto para a troca da lâmpada. Podemos indicar que o robô fará uma verificação diária, no início da manhã.

Abstração: o robô deverá selecionar a lâmpada da cor e voltagem adequadas dentre muitas outras em uma caixa. Para isso, ele deve classificar os dados das lâmpadas para que a correta possa ser utilizada.

Algoritmo: é preciso agora desenvolver um “passo a passo” para contemplar todas as necessidades para resolver o problema.

O algoritmo será:

Início

          - Às 8h, verificar no interruptor se a lâmpada acende.

                   - Se sim, terminar.

                  - Se não, iniciar o processo de troca de lâmpada:

                            - Verificar a caixa em que as lâmpadas estão armazenadas.

                            - Encontrar uma lâmpada que seja de 12w.

                            - Retirar a lâmpada da caixa e ir em direção à cozinha.

                            - Remover a lâmpada queimada.

                            - Descartar a lâmpada queimada no lixo reciclável.

                            - Instalar a nova lâmpada.

                            - Testar se está funcionando

                            - Se sim, terminar

                            - Se não, reiniciar o procedimento de troca de lâmpada.

Fim.

Pseudocódigo é o primeiro passo para aprender sobre linguagem na programação

Em programação, a linguagem é por onde o hardware (máquina) e o programador se comunicam. É uma linguagem formal que funciona por meio de uma série de instruções, símbolos, palavras-chave e regras semânticas.

É por meio da linguagem que o programador controla o comportamento físico e lógico de uma máquina. Existem diversas linguagens, pois também existem diversas formas de transmitir um mesmo comando para alcançar um mesmo objetivo.

Ainda que seja possível aprender programação diretamente a partir de uma linguagem específica, é mais interessante partir de algo chamado pseudocódigo. Essa é uma forma genérica de escrever um algoritmo.

O pseudocódigo é uma linguagem simples, que pode ser entendida por qualquer pessoa sem necessidade de conhecer a sintaxe de nenhuma linguagem de programação. É como se fosse uma “língua universal” que permite que a pessoa entenda os conceitos gerais. O pseudocódigo usa as chamadas “palavras” com comandos muito usados em qualquer linguagem, como “escreva”, “leia” ou os comandos matemáticos de soma, divisão, multiplicação, média, por exemplo.

Com esta base consolidada, é bem mais fácil seguir para o próximo passo, que é entender o que é uma linguagem de programação. Python, Java, C++, PHP, Ruby são algumas delas.

Tipos de linguagens de programação

Cada linguagem de programação tem a sua particularidade e é mais usada para o desenvolvimento de um determinado tipo de solução. O que elas têm em comum são os elementos estruturais, usados para escrever um código que, quando compilado, se transforma em um programa que dará instruções de processamento ao computador.

Imagine que uma tarefa computacional é equivalente a um texto. Você vai precisar estruturar frases e parágrafos que façam sentido. Da mesma forma, ao escrever código de programação, os comandos e instruções precisam fazer sentido e estarem organizados. A sequência de instruções codificadas é usada pelo computador para realizar operações específicas. E isso é possível por um fluxograma de programação, que varia de linguagem para linguagem.

  • Java

Apesar de ser um pouco antiga, Java é considerada uma linguagem de programação extremamente versátil. Por isso, ainda é bastante utilizada, principalmente em aplicações para Web, Mobile e Desktop. Ela permite criar:

  • jogos: Minecraft foi feito em Java pela empresa Mojave em sua primeira e mais popular versão, antes de ser adquirido pela Microsoft.
  • ferramentas de upload de fotos.
  • chats.
  • várias aplicações interativas, como tours virtuais e mapas interativos, entre muitas outras aplicações.
  • Python

Uma linguagem bastante atual é a Python, criada em 1991. É uma boa opção para quem está entrando no mundo da programação, pois foi pensada para facilitar a escrita e a leitura dos códigos em Python. É uma linguagem muito usada em Data Science, Machine Learning e Inteligência Artificial, assim como no desenvolvimento de web e aplicativos, como o Instagram e YouTube (inicialmente desenvolvido em PHP, migrou para Python por conta da necessidade de melhorar desempenho e de integrar novas funcionalidades.

  • Linguagem C

A linguagem C é muito utilizada na programação de sistemas operacionais, como o Google Chrome e o Firefox. Para a criação de softwares para desktop, a versão C++ é a mais usada como nos casos dos programas da Adobe Systems como o Photoshop, Image Ready e Illustrator.

  • JavaScript e PHP

Outras linguagens que são bastante usadas para web são Javascript e PHP.

A primeira foi pensada para criar páginas de internet mais interativas e flexíveis, substituindo o desenvolvimento em HTML. O JavaScript é uma das principais linguagens de programação utilizadas na configuração visual de sites atualmente.

A PHP é muito usada no back end, ou seja, na parte que estrutura o site e que o usuário não vê. É uma linguagem de programação que se integra bem com HTML e bancos de dados.

Ferramentas para aprender a programar na prática

Um reforço muito importante e válido no processo de aprendizagem é a participação em comunidades. Nesse sentido, existe uma série de ferramentas bastante acessíveis.

Uma das mais usadas é a Scratch, comunidade online e aberta de linguagem de programação. Desenvolvida pela Harvard, nela é possível criar jogos, animações e histórias interativas. O Scratch familiariza de forma quase intuitiva o conceito de comandos e vai ensinando a lógica computacional de forma didática e leve.

Outra ferramenta muito usada é o Portugol Studio. Trata-se de ambiente para aprender a programar voltado para os iniciantes em programação que falam o idioma português.

Na EBAC, a introdução à lógica de programação é gratuita

Para estimular o aprendizado do básico de programação, a EBAC lançou o curso gratuito Introdução à Lógica de Programação. O objetivo é mostrar de forma didática como qualquer pessoa pode aprender o raciocínio lógico.

O curso é conduzido pelo professor Francisco Viana, mestre em ensino de Física pela Universidade Federal do ABC (UFABC).